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Lindy Hop

Um estilo de dança que ressuscita até os demónios! Para ver, e participar, no próximo dia 7 de Novembro, na Baixa-Chiado PT Bluestation

No próximo dia 7 de Novembro, às 19 horas, o ritmo contagiante do Lindy Hop invade a Baixa-Chiado PT Bluestation. Não percam a oportunidade de assistirem a um espectáculo único e frenético. Os mais aventureiros podem (e devem) juntar-se à festa. A entrada é gratuita.

Nos anos 20 do século passado (XX), a cultura sofria grandes transformações por todo o mundo. Na literatura, Ernest Hemingway e Scott Fitzgerald davam os seus primeiros grandes passos. Na música, o jazz tornava-se sonante por todos os clubes e a dança, esse acto livre que abraça os nossos corpos sem pedir licença, ganhava cada vez mais adeptos e adaptava um estilo próprio. Sob este pretexto temos o enorme prazer de vos apresentar um estilo de dança que ressuscita até os demónios.

O Lindy Hop é a definição de um ritmo do qual derivou o Swing e posteriormente o Rock. As suas origens remetem aos anos 30, aos bairros negros de Nova Iorque, mais concretamente um dos mais famosos salões de baile do mundo – o Savoy Ballroom. Depois de o mundo se ter apaixonado pelo estilo Charleston através das grandiosas cenas representadas no cinema, a década de 30 é marcada pelo Lindy Hop como uma das mais fantásticas formas de se dançar já criadas. De facto, o maior importador e divulgador deste estilo de dança foram os filmes da época, para além das tropas norte-americanas que estavam em missão em nações aliadas dos Estados Unidos da América derivadas da tempestade bélica que foi a Segunda Grande Guerra Mundial. Na Europa, embora o Lindy Hop e o Jazz fossem proibidos em países como a Alemanha, ambos eram populares em outros países europeus. Em Portugal, este estilo de dança chegou mais tarde e recentemente foi criado pela professora Abeth Farag um grupo à qual chamou de Lindy Hoppers Portugal cujo número de praticantes, quer em Lisboa, quer no Porto, tem aumentado consideravelmente.

“Comecei por me interessar pela época como um todo, não só pelo glamour da década, mas sobretudo pelo papel da mulher na sociedade, que a partir dos anos 20 deixou de ser a mulher inerte e apertada no seu espartilho para passar a ser uma mulher vanguardista e sofisticada, que puxou a saia até ao joelho e visitava bares e dançava para se divertir”, confessou-nos Dália Sotero, uma das alunas mas avançadas do clube Lindy Hoppers de Lisboa.

Dália é da opinião que o Lindy Hop está longe de ser uma dança desactualizada. Cada vez mais surgem novas coreografias, novos passos, mas que está a ganhar terreno por ser uma dança que estimula a criatividade e isso é o que todos precisamos – de estímulos. Contrariamente ao que, de uma forma generalizada, se possa pensar, os homens que praticam este estilo de dança acabam por se transformar em modelos sexys quando dançam e as mulheres acabam por captar a atenção e interesse de qualquer espectador até com os movimentos mais elementares.

Dália contou-nos que “nos festivais em que participei fiquei realmente fascinada com as bandas ao vivo que têm uma qualidade musical excelente, mas também com a forma como o Lindy Hop é encarado, com muita simpatia, boa disposição e por uma boa razão: todos se querem divertir e ter um bom feeling quando dançam! O que move pessoas todos os anos e várias vezes por ano a viajar pela Europa, América, Ásia, para se encontrarem e dançarem Lindy Hop é o facto de ser uma dança socialmente estimulante.”

Para além das demonstrações internacionais onde os alunos portugueses se fazem representar, também os Lindy Hoppers em Portugal têm vindo a organizar alguns festivais que albergam praticantes de todo o mundo. Para melhor compreendermos como todo este fenómeno surgiu no nosso país e também como ter contacto com o grupo, estivemos à conversa com a responsável por este projecto e igualmente professora, que de forma clara e simples, nos tirou todas as dúvidas.

Como surgiu a paixão por este estilo de dança?

Abeth Farag – Quando vivia na Califórnia ia ao Golden Gate Park em São Francisco aos fins-de-semana e estavam lá pessoas a dançar Lindy Hop todos os domingos de manhã. Reparei que as pessoas no parque estavam com grandes sorrisos ao dançar e isso também me atraía. Inscrevi-me em aulas de Lindy Hop e apaixonei-me pelo facto de o Lindy Hop ter passos base de vários ritmos e dentro desses haver bastante espaço para improvisar. A dança convida à brincadeira e comunicação entre os pares e adoro a sensação de estar a dançar com alguém e partilhar um momento de interpretação da música e de alegria.

E há quanto tempo dá aulas?

Comecei a dar aulas quando introduzi o Lindy Hop em Portugal há quatro anos. Já tinha tentado ensinar a um grupo de estrangeiros quando vivia em Marrocos antes de vir viver para Portugal.

Como surgiu o grupo Lindy Hoppers em Portugal?

Há quatro anos. Na altura praticava aulas de sapateado no Porto e, uma vez que o sapateado e o Lindy Hop têm raízes na mesma época e dançam a mesma música, pensei que os meus colegas se pudessem interessar pelo Lindy Hop. Comecei a mostrar vídeos do Lindy Hop e marcámos treinos para lhes ensinar os passos bases, ao mesmo tempo que me ensinava própria a parte da dança do Leader (homem). Os meus colegas começaram a falar aos amigos e decidimos divulgar as aulas para um público mais alargado. Num piscar de olhos encontrei-me a dar workshops de Lindy Hop, a criar turmas novas, a trazer professores de outros países para darem workshops cá. Não imaginava no que isto se tornaria quando comecei!

Este tipo de dança tem cada vez mais seguidores. A que se deve este elevado interesse?

Acho que há muita gente que começou da mesma maneira que eu – viram uma festa ou uma prática ao ar livre e ficaram com vontade de experimentar porque repararam na alegria das pessoas a dançarem. Também existe a parte de sair um pouco do quotidiano. Sinto que o grupo dos Lindy Hoppers no Porto e em Lisboa é composto por pessoas interessantes e verdadeiras que gostam de se divertir, que abraçam logo os novos membros para dentro da comunidade e sabe bem fazer parte duma comunidade dessas.

Como tem sido a reacção das pessoas quando vos vêem a dançar em espaços ao ar livre, nas sessões de aulas Lindy na rua? As pessoas comentam? Mostram-se interessadas?

Ficam a olhar e muita gente curiosa vem perguntar pela dança. Acho que mesmo que não queiram experimentar, ouvir a música e ver a alegria adiciona algo especial ao seu passeio pelo parque, pelo menos essa foi a minha experiência na Califórnia.

Alguns dos alunos de Lindy Hop têm representado Portugal ao participar em vários festivais internacionais da modalidade. Como tem sido feito esse acompanhamento? E como tem sido essa experiência para os membros do grupo?

Uma vez que o grupo cá é ainda pequeno – mas já cerca de 120 entre o Porto e Lisboa! -, faz bem fazer aulas com outros professores até mais experientes que eu, e dançar com pessoas novas de outros países. Aprende-se sempre muito nessas experiências, para além de se criar uma rede simpática de Lindy Hoppers pelo mundo. Os meus alunos que estiveram em festivais internacionais voltam sempre mais motivados e cheios de passos novos e com uma ideia melhor da técnica porque tiveram que a pôr em prática com pessoas desconhecidas.

Frankie Manning, o embaixador do movimento Lindy Hop que morreu em 2009 com 94 anos disse “I’d like to tell them… if they’re not dancing, get out there and dance! And do the lindy hop ‘cause it’s going to make them feel good”. E é esta a filosofia que pretendemos transmitir. Durante todo o ano existem inúmeras actividades de Lindy Hop Portugal, que vão desde a aulas práticas ao ar livre e algumas festas. Se ficaste verdadeiramente interessado, o ano lectivo já teve início, mas de certeza que ainda arranjas uma vaga. Podes sempre seguir o facebook do grupo ou enviar um e-mail para lindyhopportugal@gmail.com.

Boas danças, boas andanças.

Fotografia por José Eduardo Real



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