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LUÍS SEVERO + FILIPE SAMBADO @ ZDB (08.09.2017)

O cartaz afixado pela ZDB prometia uma noite bonita dentro da sempre aconchegante sala. Dois nomes da nova vaga da canção portuguesa estariam em palco, num serão desde logo especial dados os diversos nomes que estavam escalonados para pisar o palco como convidados de Luís Severo.

Quiçá para contrapor os numerosos intérpretes que se seguiriam, Filipe Sambado cumpriu a primeira parte do serão sozinho em palco. Com um manequim no centro do palco pretendendo concentrar as atenções, o músico colocou-se num dos cantos do palco, de costas para a plateia e assim permaneceu ao longo da actuação. Filipe Sambado aproveitou a ocasião para apresentar temas novos, que farão parte do trabalho de estúdio a lançar, ao que tudo indica, em Fevereiro vindouro. E, pela amostra oferecida, o sucessor de “Vida Salgada” promete bastante, com as habituais letras sui generis sempre acutilantes, transmitidas através de melodias delico-doces, que mesmo acompanhadas somente por guitarra não deixam de fazer bater o pézinho regularmente. Desta onda geral fugiu somente o último tema do alinhamento, num tom de balado, remetendo-nos momentaneamente para um «Imagine». O som de Sambado, definitivamente, continua a crescer.

Luís Severo entrou igualmente sozinho no palco da ZDB, sentando-se imediatamente ao piano, através do qual nos presenteou os primeiros quatro temas, replicando alguns dos concertos que tem feito neste tour nos quais se fez acompanhar unicamente destas mesmas teclas.
Começou por recuperar temas de “Cara d’Anjo”, primeiro com «Vida de Escorpião» e depois com o tema-título deste álbum de 2015. Retrocedeu ainda mais quando foi ao EP “Fim de Verão”, assinado ainda como Cão da Morte, para cantar «Casal Boss», algo que não fazia há cerca de 4 anos. Antes de abandonar o piano à sua sorte, Severo aproveitou ainda para trazer à baila «Cabanas do Bonfim», tema pertencente ao seu projecto paralelo Flamingos, numa join-venture com João Sarnadas (também conhecido como Coelho Radioactivo).

Era chegada a hora dos primeiros convidados entrarem em cena, num autêntico ballet de músicos em palco, com o protagonista a fazer questão de descrever o papel e importância que cada um teve na feitura do belo disco editado pela Cuca Monga , começando desde logo por Diogo Rodrigues (bateria) e Violeta Azevedo (flauta). Foi já em formato banda que iniciou o desfile das canções pertencentes ao álbum homónimo, com «Meu Amor» a ter essa mesma honra. Seguiram-se Bia Diniz (voz), Tomás Wallenstein (viola, violino, percussão) e Manuel Palha (guitarra), com estes últimos a tomar conta de grande parte da instrumentação daí em diante, com destaque para o mélico violino de Wallenstein em «Cabeça de Vento». E não é surpreendente que «Olho de Lince» soe a uma autêntica mistura entre Luís Severo e Capitão Fausto, em muito devido ao reverb da guitarra. Mas não só.
Em «Amor e Verdade» é convocado o restante coro que participou no disco, com Manuel Lourenço (Primeira Dama) e Teresa Castro (Calcutá) a agregarem-se às vozes em palco, engrandecendo as harmonias, à qual se seguiu o tema favorito do próprio autor, segundo confidenciou, o bonito «Planície (tudo igual)». A cereja no topo deste bolo delicioso foi colocada com a interpretação praticamente a capella, e em conjunto com os restantes convidados, de «Lábios de Vinho».

Para sacudir um pouco a lamechice boa que ecoou na ZDB até então, Joaquim Quadros tomou conta dos decks para trazer batidas requintadas aos presentes.

Alinhamento

– Vida de Escorpião
– Casal Boss
– Cara d’Anjo
– Cabanas do Bonfim (Flamingos)
– Meu Amor
– Lamento
– Cabeça de Vento
– Amor e Verdade
– Planície (tudo igual)
– Escola
– Boa Companhia
– Olho de Lince

(encore)

– Lábios de Vinho



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