Maison Martin Margiela

Alta-costura em Ganga

As propostas da Maison Martin Margiela para o Inverno 2013, na linha de Couture, contou com a habitual audácia, desta vez com a inclusão da ganga nos seus coordenados.

A Alta-costura é o expoente máximo de sonho materializado no mundo da Moda. As colecções são refinadas, feitas com os melhores materiais, através das técnicas mais minuciosas que irão ser vestidas por um número restrito de mulheres, provando assim um cariz único que a caracteriza. Entre as poucas marcas que apresentam duas colecções de couture por ano está a Maison Martin Margiela, que não caminha necessariamente dentro da descrição feita acima. Desde sempre que esta Casa de moda habituou o público a um vanguardismo de formas, materiais, apresentação de produto, processo de criação… E na apresentação da sua última colecção de Alta-costura, “Artisanal”, volta a surpreender com a escolha de jeans conjugados com peças trabalhadas em drapping ou de composições meticulosas de flores ou pequenas contas.

Vindo de Margiela esta junção é perfeitamente aceitável, porém, para muitos outros nomes que entrem no sistema de Alta-costura, tal seria impensável, visto a ganga ter a sua origem no trabalho nas minas, transformando-se posteriormente num elemento massificado. Ou seja, a total antítese da Couture. As calças de ganga têm sido constantemente alvo de reinvenção, modelo máximo de versatilidade, tendo, ao longo dos tempos perdido o seu poder enquanto símbolo da juventude, visto terem-se disseminado entre todas as faixas etárias. Já para não falar da sua multipluralidade no que diz respeito a género, classe, estilo de vida. Agora apresentam-se como peças de luxo, dando leveza aos itens mais trabalhados, com laivos de artes plásticas da Maison Martin Margiela.

Maison Martin Margiela

A renovação dá-se quando se faz algo pela primeira vez (difícil neste universo repetitivo e revivalista), se causa impacto, traz à tona o debate. Vemos assim calças de ganga básicas tratadas como peças de luxo. Embora já existam jeans de alta gama, aqui o segmento de Moda enaltece ainda mais a peça. Não são os materiais reutilizados, empregados nesta colecção, como vestidos de baile dos anos 50, tecidos vintage, alguns deles dos anos 30 com forte influência da Arte Nova, que perdem glamour ou importância. Estes elementos provam que a marca sabe misturar conceitos paradoxais de forma exímia para dar ares de acessibilidade a algo que dificilmente o comum dos mortais poderá adquirir.


Maison Martin Margiela – Autumn Winter 2013… por afp-fashion

A escolha do local de apresentação, uma estação de metro, prova que a escolha dos jeans não foi casual, pois existia uma pretensão de “descer” a couture ao nível das massas, das multidões, onde impera a multiculturalidade e ninguém faz juízos da indumentária alheia. Um exercício de aparente democratização onde tudo é possível, permitido, onde o estilo não tem rosto ou identidade.

 

Fotos retiradas do site style.com



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