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Martina Topley-Bird

"Se uma imagem surge na minha mente, não a questiono, mesmo que não a perceba na altura. De alguma forma acaba por fazer sentido mais tarde”.

Martina Topley-Bird. O nome é daqueles que sobressai. Que fica facilmente no ouvido, mas quem a conhece pensa primeiro nas suas colaborações com Tricky e, mais recentemente, com os Massive Attack. Só depois surge o seu trabalho a solo que, verdade seja dita, não merece de todo ser relegado para segundo plano.

Os concertos que Martina tem agendados para Estarreja e para Lisboa, nos próximos dias 2 e 3 de Março, foram o pretexto perfeito para falarmos com ela.

O trip-hop e Martina Topley-Bird são indissociáveis, por isso decidimos começar por aí mesmo, e perceber de que forma as colaborações com nomes como Tricky e Massive Attack influenciaram Martina e a sua carreira. “Houve um grande intervalo de tempo entre o período que trabalhei com o Tricky e com os Massive Attack” – começa por dizer – “Penso que, dado que comecei num campo mais experimental, num certo momento quis ligar-me a formas mais tradicionais e estruturadas. Com ambos os grupos existe um verdadeiro espírito punk e uma verdadeira diversidade de influências e foi isso que me levou a colaborar com eles em primeiro lugar, independentemente de qualquer género ou estilo a que possa estar mais ligada. É algo que procuro nas pessoas com quem colaboro”.

Por esta altura já perceberam que as colaborações que Martina leva a cabo não surgem ao acaso nem são desprovidas de sentido. Elas, as colaborações, vão muito para além do trip-hop e um bom exemplo disso mesmo ficou patente no álbum de estreia, “Quixotic”, de 2003, que contou com a participação de Josh Homme e Mark Lanegan. Algo que na altura poderia ser visto como um risco, um passeio fora da área de conforto, revelou ser na realidade um passo coerente e perfeitamente lógico na carreira de Martina Topley-Bird. “Eu costumava escutar a música deles quando era adolescente, por isso vi a oportunidade quase mais como um regresso a casa, do que como um risco. Foi maravilhoso. Eu gosto de muitos tipos de música e parece que continuo a descobrir novos amores das formas mais surpreendentes”. A procura por diferentes abordagens está escrita nas entrelinhas quando nos referimos a Martina Topley-Bird e torna-se por demais evidente quando a própria começa a falar sobre o assunto. “Começar a tocar ao vivo foi uma enorme evolução e após tantos concertos com os Massive Attack, e em nome próprio, novas oportunidades continuam a surgir. Gosto de sentir que estou a aprender algo novo e não estou a cair num padrão qualquer”.

A imagem de Martina Topley-Bird não deixa ninguém indiferente. Faz parte dela como artista. Ao olhar para uma foto de Martina, palavras como arrojo e cor vêm facilmente à cabeça. Procurámos perceber se a imagem que adopta faz parte de uma mensagem que Martina pretende passar ou se é simplesmente o que a faz sentir-se confortável em palco. A resposta foi clara como a água; ”limito-me a seguir os meus instintos actualmente. Se uma imagem surge na minha mente, não a questiono, mesmo que não a perceba na altura. De alguma forma acaba por fazer sentido mais tarde”.

O último álbum, “Some Place Simple”, data de 2010 e soou “tão cru como até onde eu queria ir”, segundo Topley-Bird. Actualmente, está a “trabalhar em algumas coisas, sendo que uma delas poderá vir-se a tornar o sucessor de “Some Place Simple. Minimal” mas com uma estética de produção diferente”. E concluiu dizendo que “gostaria de captar a frescura imediata desse disco, que penso ter sido atingida ao gravá-lo num curto espaço de tempo, mas com um salto em frente no que diz respeito à produção”. Se iremos ou não ter oportunidade de escutar composições novas não nos foi revelado mas nós lá estaremos, à espera, para ver e ouvir.



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