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Martina Topley-Bird @ Musicbox | 3 de Março

Martina e o Ninja.

Meia casa. Era assim que o Musicbox estava para receber Martina Topley-Bird. Mas era meia casa com elevados índices de boa disposição e com muita vontade para a ver e ouvir. Os ponteiros do relógio estavam perto das 00h15 quando, com a face pintada em redor dos olhos – já uma imagem de marca – Martina entrou em palco acompanhada pelo seu Ninja (com a respectiva maiúscula), que saúda o público com a reverência de um ninja. E sim, leram bem. Vestido de negro da cabeça aos pés; visíveis, apenas os olhos e a pele em redor, tal como um… ninja.

“Some Place Simple” é um álbum sui generis. Primeiro, porque é um álbum que conta com poucos temas originais. A grande maioria são reinterpretações de temas dos dois trabalhos anteriores, “Quixotic” e “Blue Gold”, e resultaram de um desafio colocado por Damon Albarn para que as composições fossem despidas, conferindo-lhes contornos mais simplistas e minimalistas. O resultado foi extremamente positivo e isso foi bem evidente ali, no Musicbox.

O concerto teve início ao som de «Orchids», com o Ninja a ocupar-se da bateria e Martina dos teclados, enquanto a sua bela voz dava um primeiro ar de sua graça, deambulando com toda a segurança entre a batida rápida e ritmada do tema.
Existia alguma expectativa sobre se iriam ser apresentados temas novos durante o concerto mas seria necessário aguardar um pouco mais para que tais dúvidas fossem dissipadas. É que antes de ser possível escutar novas composições, três para ser mais exacto, e quase todas terminadas segundo Topley-Bird, escutou-se «Sandpaper Kisses», «Intro», «Da Da Da» (com o devido acompanhamento do público, porque embora a letra se resuma a um simples Da Da Da, a canção não deixa de ser um doce para os ouvidos) e «Phoenix», numa interpretação despida de arranjos, só com os teclados e uma voz a sussurrar-nos aos ouvidos “I will stay for this last transformation”, como que a avisar que algo de diferente se aproximava. Pelo meio da sequência, Martina apresentou-se ao público e apresentou também o seu ninja: “This is my Ninja!”. Nem mais, nem menos. Eis que finalmente surge o primeiro tema novo, para o qual não foi adiantado qualquer título. De imediato salta à vista uma aparente mudança na sonoridade, mais suja, mais crua e onde a guitarra se faz ouvir. Soou bem e a receptividade que a sala mostrou pareceu confirmar isso mesmo.

Antes da dupla decidir fazer um curto intervalo, anunciado pela própria, ainda foi possível escutar «Ilyah». O regresso trouxe uma surpresa para uns, ou a confirmação de uma possibilidade para outros (refiro-me àqueles que tinham escutado Martina na Radar no dia anterior): um cover de «Saudade», de Cesária Évora que, como seria de esperar, conseguiu arrancar uma fortíssima ovação na sala. Seguiu-se mais um tema novo, descrito por Topley-Bird como «tiny and fast». E foi. Mas também teve o condão de conseguir durante aquele curto momento encher a sala mais uma vez. Sim, porque Martina Topley-Bird tem uma presença e voz muito próprias em palco. Sei que já o disse anteriormente mas não vejo porque não o hei-de repetir.

O momento que se seguiu trouxe à memória sonoridades conotadas com Bristol e, mais em particular, com Tricky. “Don’t wanna be on top of your list, / Monopoly and properly kissed / We overcome in 60 seconds, / With the strength we have together” – os versos são de «Overcome», tema de abertura de “Maxinquaye”. Soou bem e para os mais saudosistas foi a cereja no topo do bolo.

A recta final do concerto trouxe-nos «Baby Blue» com Martina quase só em palco, (é que o Ninja por vezes parecia esconder-se nas sombras), de ukelele em punho a embalar-nos. Depois houve ainda tempo para escutar «Poison» e «To Tough to Die», esta última com a forte batida que a caracteriza, como que a assegurar que ninguém ali se iria esquecer do que se estava a passar. Para fechar, já no encore relâmpago, ficaram os beijinhos: «Kiss Kiss Kiss». Óptimo concerto!



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