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Maya Solovéy

Saudade. Azucar. Love. Em concerto até 7 de Novembro.

“I:II” é o título do álbum de estreia de Maya Solovéy. Um reportório trilingue em Português, Espanhol e Inglês. Eu chamar-lhe-ia: Saudade. Azucar. Love. E ainda o vou sugerir na próxima segunda-feira, dia 7, na Fnac do Vasco da Gama, em Lisboa, naquele que é o último de oito concertos de apresentação em Portugal. Com a simpatia e doçura desta jovem cantora nova-iorquina, de 26 anos, sabia que não me ia levar a mal e acabaríamos a trocar histórias e experiências, de coração aberto. Aconteceu no showcase da Fnac do Colombo e é comum nos seus concertos, em que, abusando da hipérbole: parece que um rouxinol- solovéy em russo – acaba de pousar na sala.

Agora sem hipérbole. Fim do dia, ambiente íntimo, calma perigosa para um transe doce. O silêncio do electrónico, apenas a pureza do piano e da guitarra. Paramos. Damos tempo à novidade. À originalidade. Ao amor, mesmo que doa um pouco, às vezes: as letras de Maya. À sinceridade que começa a envolver a sala: o olhar de Maya. À espécie de fada desta cantautora norte-americana: Maya Solovéy.

Parem também. Maya Solovéy entregou-se à música há dez anos e vale a pena uma entrega mútua para ouvir o disco de apresentação que levou quatro anos a preparar e que chegou a 19 de Setembro a Portugal. “I:II” revela uma voz doce, desnuda de arranjos.

“Quis dar primazia à voz e às letras. É um som muito puro. Honesto. Quis que essa sinceridade do som passasse para o entendimento do vocal e que neste disco a voz falasse. Afinal, no fim do dia, somos pessoas e comunicamos pela voz.” Somos. E recebemos a mensagem que, apesar de doce, é também cortante. Porque como num diamante está tudo muito em bruto, próximo, directo.

O disco faz-se de madeiras, sons redondos, quentes e naturais. “Transmite o meu background. Fui criada num ashram hindu, entre bosques e montanhas, todos os meus brinquedos eram de madeira. Era um mundo sem cicatrizes. Também sou assim purista no som”. A música desta cantora Indie Folk, faz-se desta dinâmica que parte do nada para tudo, e em que o tudo são a sua voz e as letras que compõe.

O interesse pela língua e música portuguesa nasce quando começa a ouvir músicas de João e Astrud Gilberto. Deu por ela a ouvir em loop e daí foi um passo até aprender a língua, viajar até ao Brasil e começar a compor e cantar em português. Na música« Escultura» mostra o que há de português em Maya. “Não sou nativa, não há perfeccionismo nem é para haver, uso a língua portuguesa como um quadro que capta sentimentos e emoções, o Português é muito bom para me expressar, o Inglês é mais para descrever histórias”.

Em Português, em Espanhol e em Inglês prevalece o tema do amor, melancolia em barda e muita saudade, palavra que, entre muitas, fez a cantora apaixonar-se pela língua portuguesa. “Saudade? Acho lindo o conceito. É uma das coisas cujo significado só  podemos expressar através da vivência. É uma tristeza com uma alegria lá dentro. Eu sou muito saudade. Sou muito melancólica”.

O álbum aprofunda esta visão da fertilidade da tristeza. Mas, para não assustar ninguém, sobretudo os portugueses, os famosos donos da saudade, (o álbum que agora estreia foi reeditado especialmente para a Europa), o single, com Eric Maltz, é todo ele alegria: «Ring Ring Ring». “Não podemos conquistar alguém com as nossas mágoas e melancolias, logo à primeira (risos).” Ring Ring Ring mostra também um outro lado de Maya, colorida, que ama a vida e está a adorar, em particular, a vida lisboeta. “Lisboa é rua, são pessoas a conversar, a tocar de improviso, a andar de um lado para outro. Na rua sente-se que está sempre algo a acontecer, a vida está a acontecer. Isso é a vida, para mim”.

Concordamos contigo, Maya. Esta rua também espera que regresses. E parece que acontece já no início do próximo ano. (schhhhhh! foi um rouxinol que nos disse).

Últimos concertos:

05.11SAB, 22H00, Fnac GaiaShopping

06.11DOM, 17H00, Fnac Stª. Catarina

07.11SEG, 18H30, Fnac Vasco da Gama



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