Metamorphosis – ExperimentaDesign ’13

Metamorphosis

cortiça do século XXI

A semana inaugural da ExperimentaDesign ’13 – que na sua edição deste ano, sob o tema No Borders conta com 67 eventos e participantes de 24 países -, arrancou no passado dia 7, com a abertura da exposição Metamorphosis, em parceria com o grupo Amorim.

O claustro do Mosteiro dos Jerónimos, em Belém, foi o local escolhido como palco de diversas criações, tendo como material base a cortiça. Aos arquitectos e designers coube o desafio de reinventarem este material tão português e que pode ser admirado num edifício alusivo aos descobrimentos portugueses, que agora descobre as potencialidades da cortiça.

Nomes de peso do panorama nacional e internacional, como os arquitectos portugueses Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura, a dupla de arquitectos suíços Herzog & de Meuron e o designer britânico Jasper Morrison, entre outros, desenvolveram novas técnicas na manipulação desta matéria-prima, através de novas concepções e novos usos.

A experimentação, inovação, versatilidade e transformação são as palavras que ecoam no claustro dos Jerónimos. Desde os sapatos feitos em cortiça de Jasper Morrison, aos seus painéis com relevo que criam efeito de luz e sombra, passando pelos bancos que apelam ao tacto do designer industrial Naoto Fukasawa e os de Siza Vieira, até aos puxadores e corrimãos de Souto de Moura, tudo é válido quanto se junta cortiça e criatividade.

O arquitecto João Luís Carrilho da Graça utiliza o material como uma nova técnica de construção, conjugando granulado de cortiça com cimento. O resultado é um betão muitíssimo mais leve – até 8 vezes -, que pode ser visto na forma de um protótipo da fachada Oeste do futuro Terminal de Cruzeiros de Lisboa.

Para além das evidentes propriedades acústicas e térmicas que serviram de base à criação, por exemplo, das prateleiras do designer James Irvine, sob o signo de Stow It, as quais procuram resolver os problemas acústicos das salas de reunião, caracterizadas pela pouca presença de mobiliário, procura-se também o seu papel expressivo. Esta “componente sensorial e estética” é materializada pelo arquitecto Manuel Aires Mateus no seu arquétipo da capela ou da casa, em que a luz que surge de baixo, realça a textura inerente à cortiça em bruto, criando um ambiente próprio.

Metamorphosis - ExperimentaDesign ’13

Metamorphosis - ExperimentaDesign ’13

Amanda Levete, por seu lado, concebe o Cork Kit, um “sistema de montagem modelar autoportante” que, através da cozedura, evidencia as diferentes tonalidades do material, com um resultado bastante expressivo. Já os Soft Monoliths, que se traduzem, essencialmente, numa estrutura feita integralmente do material homenageado, do arquitecto Alejandro Aravena, procuram “um retorno ao entorno naturalmente” quando deixam de ser usados.

Com aplicação concreta num edifício, surge uma maquete do auditório da Ópera de Hamburgo de Herzog & de Meuron, revestida a cortiça.

O resultado da investigação e experimentação destes designers e arquitectos está presente num percurso feito igualmente de cortiça, que dirige os visitantes e serve como pano de fundo aos projectos, os quais se vão materializando ao longo deste trilho.

Para além do material em destaque, os espelhos que pontuam o percurso criam um ambiente de integração das obras com o próprio edifício, revelando a combinação destas com o reflexo das abóbadas do claustro, um efeito curioso e interessante, acrescentando valor à exposição.

Metamorphosis junta a criatividade de diversos artistas e mostra como um material centenário pode, também, ser um material do século XXI.



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