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biba o Teatro em Braga!

Terminou a 10 de Julho mais uma edição do Mimarte - Festival de Teatro de Braga.

Na décima segunda edição, o festival de teatro Mimarte proporcionou aos bracarenses momentos de alegria e boa disposição. Decorrendo de 30 de Junho e 10 de Julho, o Festival de Teatro de Braga contou com uma programação diversificada, mas, sem dúvida, dominada pela comédia. Textos de Molière, como “O Ciúme do Enfarinhado”, e de Gil Vicente, como o “Auto do Velho da Horta” e “Se o Mundo Fosse Bom, o Dono Morava Nele”, subiram ao palco do festival que se estende pelo centro histórico de Braga, utilizando quer espaços ao ar livre, quer salas de teatro fechadas.

O Rossio da Sé, o Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa e o Theatro Circo receberam as doze produções de teatro profissional e amador que passaram pelo cartaz do festival. Ilda Carneiro, vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Braga, entidade promotora do evento, sublinha o “aumento da qualidade das peças”, dado que o público, “cada vez mais exigente”, “exige essa qualidade” à organização.

De acordo com Ilda Carneiro, nas últimas edições do Mimarte, os espectáculos ao ar livre têm registado assistências médias de mil pessoas, um aumento significativo de espectadores de teatro em Braga fruto do trabalho realizado pelo Pelouro da Cultura através do fomento de actividades de promoção de novos públicos.

Com um orçamento de 75 mil euros, o Pelouro da Cultura apostou na continuidade da ligação entre os grupos em cartaz e o público. “A maior parte das companhias, nós já as conhecemos”, explica a responsável, salientando que estas “têm deixado a sua marca no Mimarte”.

Espectáculos a par e passo

O Mimarte – Festival de Teatro de Braga arrancou a 30 de Junho, no Rossio da Sé, com o espectáculo “A história de amor da filha do regedor”, a cargo do grupo bracarense de teatro infantil Tin-Bra, seguindo-se, durante o fim-de-semana, a apresentação das produções nacionais do Teatro Regional da Serra do Montemuro, do Teatro da Rainha e do Centro Dramático de Évora (CENDREV).

“A Herança de Jeremias”, criação colectiva da companhia do Teatro Regional da Serra do Montemuro, e “Se o Mundo Fosse Bom, o Dono Morava Nele”, produção teatral do CENDREV, dois dos espectáculos apresentados, respectivamente, a 1 e 3 de Julho, no Mimarte, vieram a Braga ao abrigo da rede Culturbe que agrega o Theatro Circo, de Braga, o Teatro Garcia Resende, de Évora, e o Teatro da Cerca de São Bernardo, de Coimbra.

Com encenação de Graeme Pullenyen, “A Herança de Jeremias”, uma “comédia visual, musical e muito teatral”, conta a história “estranha, bizarra e divertidíssima” das partilhas da casa e do burro de Jeremias, campeão das corridas de burros, pelos seus descendentes.

O Teatro da Rainha apresentou, a 2 de Julho, a peça “O Ciúme do Enfarinhado”, de Molière. Encenada por Fernando Mora Ramos, a farsa revela a história de um conflito de interesses entre as personagens, que se vai adensando até concluir de forma “mais ou menos abrupta”, como refere a organização.

“Se o Mundo Fosse Bom, o Dono Morava Nele”, apresentação do CENDREV criada a partir de textos de Gil Vicente e Januário de Oliveira, entrou em cena a 3 de Julho. Convidando o público a participar no espectáculo, o CENDREV coloca em palco actores, bonecos e músicos, que abordam os temas da dramaturgia popular, “subvertendo as unidades de tempo, lugar e acção” e estimulando a imaginação dos espectadores.

A vereadora do Pelouro da Cultura destaca a peça “A Festa dos Porcos”, produção do grupo Jangada de Pedra, como sendo uma peça “hilariante e satírica”. Apresentada a 4 de Julho, no Rossio da Sé, a peça, baseada na obra “A Festa do Senhor das Naus”, de Luigi Pirandello, faz uma “metáfora teatral sobre a dignidade humana”, colocando a nu a comparação entre “a vida dos porcos” e a “vida dos homens”. Com encenação de Fernando Moreira, o espectáculo não passou ao lado do público mais atento.

O Teatro ao Largo apresentou o clássico de Gil Vicente “O Auto do Velho da Horta”, a 5 de Julho. Encenado por Steve Johnson, a comédia narra a história de um velho rico que, ocupado com os prazeres da sua horta, se apaixona por uma mulher jovem que lhe foi comprar alguns temperos. Encomendando os serviços de uma alcoviteira para casar com a jovem, o velho rico fica sem bens e sem noiva.

“Falatório de Ruzante de Volta da Guerra”, de Angelo Beolco, subiu ao palco do Rossio da Sé a 6 de Julho pelas “mui bracarenses” Produções Ilimitadas Fora d’Horas (PIF’H) – ver destaque fotográfico. Pedro Quintas encena a história de Ruzante, camponês convertido a soldado, no seu regresso da guerra. Procurando a sua amada Nhua, Ruzante dirige-se à cidade de Veneza e encontra o seu compadre Menato que lhe revela o paradeiro de Nhua, agora uma das onze mil prostitutas da cidade.

A Sala Principal do Theatro Circo acolheu, na mesma noite, o espectáculo circense “Losing Grip”, protagonizado pelos Desaustronauts, grupo vencedor do prémio “Jeuns Talents Cirque Europe” (Jovens Talentos de Circo Europeu), em 2010. A acção, decorrendo no ar, pede “força, agilidade, concentração, equilíbrio e energia” aos dois habitantes que sobrevivem num mundo etéreo. Espectáculo “físico e apaixonado”, “Losing Grip” propõe uma viagem “além das palavras, além dos sentimentos e mais além dos limites”, como refere a organização.

Com dramaturgia e encenação de Filipe Crawford, a criação colectiva de Commedia dell’Arte “Os Três Capitães” foi apresentada, a 7 de Julho, pelas FC Produções, no Rossio da Sé. De acordo com a organização, os três personagens competem entre si pela atenção do público através da narração das suas proezas com recurso à “mímica, música ao vivo, dança, esgrima e, acima de tudo, à máscara”.

O Mimarte regressou, uma vez mais, ao Theatro Circo para a apresentação da peça “Os 39 Degraus”, uma adaptação do clássico de Alfred Hitchock pelo grupo Statment, a 8 de Julho – ver destaque fotográfico. História de espiões encenada por Cláudio Hochman, a comédia “Os 39 Degraus” é interpretada por quatro actores conhecidos do grande público. Inês Castel-Branco, Joaquim Horta, João Didelet e Rui Melo são heróis e vilões numa peça repleta de intriga, espionagem, aventuras e muito humor.

Museu de Arqueologia recebe teatro clássico grego

O Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa recebeu, a 9 e 10 de Julho, peças clássicas de teatro grego. ”Ensaio Sobre a Cicuta”, peça criada a partir de diálogos de Platão, e “Hipólito”, de Eurípides encerraram a edição de 2011 do Festival de Teatro de Braga.

Verificando que o número de espectadores interessados em assistir a peças de teatro clássico tem vindo a aumentar de edição para edição, Ilda Carneiro sublinha a importância da inclusão do género na programação do festival.

A Origem da Comédia apresentou, a 9 de Julho, o espectáculo “Ensaio Sobre a Cicuta”, baseado em diálogos de Platão. Com encenação de Miguel Monteiro e João Diogo Loureiro, a produção teatral recupera “algumas das secções mais dramáticas e emblemáticas” da vida de Sócrates, filósofo grego, representadas nos diálogos de Platão.

A encerrar a décima segunda edição do Mimarte, o grupo de teatro clássico Origem da Comédia e Thíasos, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, subiu ao palco a 10 de Julho, apresentando a peça “Hipólito”, de Eurípides. Traduzido do grego por Frederico Lourenço e encenado por Carlos Jesus, o texto clássico, uma das primeiras peças de Eurípides, aborda a história de Hipólito e Fedra, enteados que vivem um “desencontro predeterminado de que ambos têm plena consciência”, como refere Frederico Lourenço. Com direcção de actores de Cláudio Castro Filho, a peça reflecte a tragédia de Fedra, isto é, a “loucura involuntária”.



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