Mono | “For my Parents”

Mono | “For my Parents”

A prenda perfeita de um filho para os pais

A banda de origem nipónica Mono apresentou recentemente o novo álbum de originais. “For My Parents” é o sucessor de “Hymn to the Immortal Wind”, lançado em 2009.

Composto por cinco músicas – «Legend», «Nostalgia», «Dream Odyssey», «Unseen Harbor» e «A quite place (Togetter we go)», cada uma mais longa que a outra – a mais longa tem 14 minutos, não leva ao cansaço, apesar de a banda vir a apresentar a mesma fórmula desde que se apresentou ao público em 2001: um post-rock instrumental que assenta tão bem em cenas de filmes épicos, românticos, imagens de sofrimento, coragem e determinação – não foi por acaso que os ouvimos em algumas reportagens dos Jogos Olímpicos.

“For My Parents” mostra, no entanto, um lado mais sentimentalista; há realmente segmentos que forçam a emoção, parecendo que nos vão afundar numa depressão demoníaca. Mas não ficamos presos a esse estado de espírito, pois o crescendo da música eleva realmente o ânimo. Infelizmente nestes momentos perde-se um pouco da clareza dos sons – há um ruído em background que retira a magistralidade da grandeza que Mono transmite e que se sabe estar lá. A Wordless Music Orchestra participa neste álbum, e é realmente uma aposta ganha, tal como foi possível ver e ouvir no álbum ao vivo lançado no ano passado, incutindo uma grandeza e profundidade superiores.

Este é um álbum em que salientar uma ou outra música é ser injusto com as restantes. Há bandas e artistas que ocupam a nossa mente, preenchem os espaços que sobram entre pensamentos, e há outras e outros que influenciam esses pensamentos. Os Mono criam para eles toda uma dedicação e, quando os ouvimos, é fácil imaginar a cena perfeita para um determinado segmento ou acorde. Fica difícil não imaginar a história de uma vida, contada no espaço de uma música deste álbum. E impossível colocar uma palavra sobre os sons da guitarra, sons que contam uma história só por si e que, – como em «Unseen Harbor».

A banda gostava que este álbum fosse uma prenda perfeita de um filho para os pais. Os tempos são de urgência mas, no entanto, parece que as músicas se querem rápidas, os álbuns pequenos e fáceis de fazer ‘like’. Os Mono não representam isso, pois é necessário tempo para ouvi-los. Mas representam, no entanto, a realidade de hoje, a criatividade e a genialidade de se juntar sem complexos violino e xilofones à distorção de uma guitarra em sons em crescendo, fazendo com que sejam realmente a banda sonora perfeita para um banho de espuma com um bom vinho. Se houver por aí pais capazes de perder o tempo de uma música juntos e em comunhão, então esta é a prenda perfeita.



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