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Monsters – Zona Interdita

Oportunidade perdida.

Apetece gostar de “Monsters – Zona Interdita”. Gareth Edwards, realizador, argumentista, montador (e mais umas quantas coisas) do filme, conseguiu que este aparentasse ter altos valores de produção, mesmo nos efeitos especiais, quando foi produzido com cerca de um décimo do orçamento de outros filmes de ficção científica, género em que se inscreve (vagamente, como se verá). No entanto, se o esforço e a dedicação são de louvar, “Monsters” peca pela parte que custa menos dinheiro: o argumento.

A premissa até é interessante: num Planeta Terra em que polvos gigantes extraterrestres convivem (mal) com os humanos (ou vice-versa), um homem e uma mulher encontram-se numa jornada perigosa. Ora, Edwards foge do previsível filme de série B e concentra-se na história do amor que vai nascendo entre os dois protagonistas: um fotógrafo engatatão e uma filhinha do papá prestes a casar-se. O problema é que esta linha narrativa não aguenta o filme, de tão desenxabida que é: segue todos os trâmites, o que os norte-americanos chamam “by the numbers”, sem que haja qualquer rasgo.

Preferia-se (eu preferia) que Edwards tivesse optado pelo caminho mais óbvio, e de vez em quando se sentisse algum perigo — os polvos gigantes parecem gostar muito de se porem em cima de prédios, no que consiste grande parte da sua ameaça: os protagonistas escapam ilesos e sem sobressaltos de maior à passagem da tal zona interdita do título, tendo como recompensa momentos new age a dar para o xaroposo (como se houvesse outros). A montagem ainda prega alguns sustos no espectador, mas não passa muito disso.

Uma outra leitura — a de que os humanos são os verdadeiros monstros — não é particularmente original e falta ao filme a diversão que faz outros filmes do género. Nem é preciso ir aos clássicos dos anos 50, pense-se em “District 9”, com o qual “Monsters” tem algumas semelhanças, a nível de temática e de orçamento.

O final do filme (que não quero revelar) encerra uma óptima ideia que se perde na sensaboria precedente e não a salva. Friso, mais uma vez, que “Monsters” é tecnicamente irrepreensível, o que, como se sabe, não basta para fazer cinema.



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