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MONSTRA – Sexta-Feira 13

Sita Sings The Blues & Cabaret Voltaire: Lauro Palma.

“Sita Sings The Blues” era para mim um dos filmes que mais ansiava ver na programação da MONSTRA e, na passada Sexta-feira, 13 de Março, a oportunidade finalmente chegou.

Esta obra de animação é da autoria da realizadora norte-americana Nina Paley e trata-se de um filme sem qualquer propósito comercial onde a própria realizadora pede para todos nós o vermos e distribuirmos. Por isso, a todos os interessados o filme encontra-se disponível para download na página oficial visível na zona dos links externos deste artigo.

O filme conta-nos a história Hindu, “Ramayana”, que aborda a vida de Rama e Sita. Primogénito de Dasaratha, Rei de Kosala, Rama seria, por lei, o próximo da sua linhagem a subir ao trono. No entanto Kaikeyi, a terceira e mais nova mulher do Rei, decide cobrar uma antiga promessa que o marido lhe havia feito, pedindo assim o exílio de Rama. Obrigado a abandonar o castelo, é acompanhado pela sua mulher Sita cujo amor por ele é maior do que a própria vida. O filme acaba assim por se centrar maioritariamente na personagem de Sita e na sua luta pela igualdade.

A narrativa ao longo do tempo vai mudando de tom, podendo ser dividida em três partes, cada uma característica por um estilo de animação distinto que permitem identificar facilmente em que qual dos ambientes nos encontramos. Por um lado, temos os momentos em que a história é narrada por três divertidos shadow puppets indianos que proporcionam algumas das melhores gargalhadas no filme ao misturarem os relatos da lenda com as suas opiniões pessoais e é filmada utilizando animação fotográfica. Os segmentos que contam a história de uma forma mais tradicional utilizam pinturas que se assemelham ao estilo tradicional indiano Rajput. Por fim, e não fosse o título do filme “Sita Sings The Blues”, temos a parte musical onde Sita canta canções da artista jazz Annette Hanshaw. Este segmento baseia-se num estilo de animação gráfico que utiliza figuras geométricas para construir as imagens.

Paralelamente à história principal existe um segmento autobiográfico que conta a história de um casal que vive em São Francisco mas que se começa a distanciar quando o marido aceita uma proposta para ir trabalhar para a Índia. Esta parte é caracterizada também por ter um estilo distinto de animação, neste caso a técnica utilizada é a Squigglevision onde as formas são criadas de forma a tremerem e ondularem.

Como podem perceber, “Sita Sing The Blues” é uma verdadeira amálgama de estilos e géneros que resulta num filme lindíssimo e bem-humorado. Infelizmente, a realizadora Nina Paley teve de cancelar a sua visita ao festival mas no seu lugar esteve o muito simpático Nik Phelps, um dos compositores da banda sonora que amavelmente se disponibilizou para conversar sobre o filme com todos os interessados.
No que toca à competição da MONSTRA acabou por levar para casa o prémio especial do júri.

Em jeito de comemoração dos 90 anos do dadaísmo, que nasce precisamente em Zurique na Suíça (País convidado), a MONSTRA organizou para esta edição dois espectáculos dentro do espírito do Cabaret Voltaire que foi na altura um dos grandes impulsionadores deste movimento cultural.

A banda convidada para esta noite foram os Lauro Palma que a seguir à visualização de “Sita Sing The Blues” concluiram mais um dia do festival.

O concerto teve início com uma das canções mais viciantes do grupo «Cá se fazem cá se pagam» e, apesar de terem “entrado a matar”, confesso que preferia tê-la ouvido no final mesmo antes de ir para casa.

Sintetizadores e letras parodistas sobre os mais variados temas, desde uma «famel no Paris Dakar» ou «uma mosca sem valor que pousa com a mesma alegria na careca de um doutor como em qualquer porcaria» são a grande imagem de marca dos Lauro Palma que conseguiram acima de tudo entreter e divertir o público.
Uma das ideias originais do director Fernando Galrito para estes momentos musicais consistia em que estes incluissem também uma estética de imagem ligada idealmente ao cinema de animação Suíço ou ao realizado pelos estudantes para a competição. Apesar de a intenção original não ter acontecido, de certeza que foram poucos aqueles que não sairam muito satisfeitos depois de terem assistido a este divertidíssimo momento musical que fará garantidamente furor em qualquer arraial académico.



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