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“Ó da casa”

A ARCA reanima a cultura na baixa de Faro

A noite ainda não tinha começado e já se sentia um ambiente diferente nas ruas da baixa de Faro. “Ó da casa” abriu as portas de oito habitações particulares que durante a noite do passado sábado, 26 de maio, ofereceram, a quem respondeu ao apelo da ARCA – Associação Recreativa e Cultural do Algarve, música, pintura, performances, poesia, provas cegas e chicotes!

O evento teve início no Jardim da Alameda com um concerto dos “Morgadinhos do Arabal” por volta das 18h, grupo que se juntou propositadamente para o evento. Depois deste momento começou a viagem. Oito casas numeradas em diferentes pontos da baixa de Faro permitiram aos participantes conhecer melhor a diversidade cultural dos farenses e uma realidade de que muitos não se tinham apercebido: a existência de muitos jovens a viver na zona da baixa, como referiram o Daniel e a Vera Luísa.

 

Dando início à rota, na primeira casa encontrámos uma instalação intitulada “Memento mori”, uma recolha de imagens e frases de autor, que nos foram compiladas em vídeo por Adriana Pacheco, transportando o público para momentos de reflexão. Na segunda casa, Felisbela Paulino brindou o público com a performance “O show”, um espectáculo transformista que levou o público à gargalhada. Seguindo a rota, por volta das 22 horas era possível cruzarmo-nos com diversos grupos de pessoas, que aderiram ao evento, e perguntavam a cada instante “Para onde vamos agora?”.

Na terceira casa decorria o “Grand Prix da Ria Formosa”, promovido por André Capela e Ana Luísa, onde os visitantes foram desafiados a uma corrida de caricas. Voltámos a ter música na casa da Milai, que cedeu o espaço para a performance “O Grande e o Pequeno”, que juntou um contrabaixo (Paulinho) e um cavaquinho (Luís Carmelo). A par disto, e enquanto íamos entrando na noite, encontravam-se cada vez mais pessoas nas ruas que partilhavam as suas opiniões e ajudavam quem tinha maiores dificuldades em interpretar o mapa.

Rogério Cão, que já tinha visitado duas casas, exprimia o seu agrado pela iniciativa referindo que “As ruas de Faro estão mais seguras! Sente-se um ambiente magnífico e melhor ainda é ver que quem está a promover esta iniciativa não recebe nada a não ser o prazer de ver o seu trabalho partilhado com o público!”. Raquel Ponte saía agora da quinta casa onde visitou a exposição de desenho “Estendal Italiano”, de Mafalda David, e referia que o “Ó da casa” é um exemplo, em época de contenção de custos, de como “há formas fáceis e baratas de fazer Cultura”.

Chegada a sexta casa, desta vez a de Luís Nogueira (escritor conhecido em Faro por Luís Ene), entrámos no campo da poesia. Vários escritores da literatura portuguesa fizeram parte desta performance com o nome “Português sem filtro”, que foi complementada por ilustrações da autoria da filha do escritor.

 

 

Nova casa, nova experiência! A sétima casa, de Daniela Garcia e Luís Carmelo, levou os visitantes a novas e saborosas sensações! De olhos vendados, foram dadas a provar várias iguarias, como por exemplo “amoras com peta zetas”, onde a textura, o aroma e o paladar se misturavam, surpreendendo os intervenientes.

Já perto da meia-noite, os grupos, que até então andaram de casa em casa com ordem aleatória, dirigiam-se em massa para a última porta que coincidia com o local onde terminava o evento. Nesta fomos convidados a subir ao primeiro andar onde encontrámos a performance “Chicotes & Cia” e pudemos ver diversos exemplares que despertaram os mais diversos sentidos e também aprender como criar o nosso próprio chicote. Esta casa recebeu imensas pessoas em duas sessões, que tiveram ainda oportunidade de desfrutar de um copo de sangria num grande terraço onde se ouviam as opiniões do público que aderiu ao evento.

Andreia Pintasilgo, designer de Comunicação, foi uma das várias pessoas que, depois de ter visitado a maioria das casas, perguntava como podia aderir a um próximo evento deste género em Faro. A essa questão responderam-lhe que bastava querer abrir a porta de sua casa à Cultura e mostrar o seu talento, ou então abrir a porta para que outros artistas possam intervir no seu espaço.

Esta iniciativa superou as expectativas da organização que não esperava uma adesão tão grande do público que se mobilizou neste sábado para um serão diferente. Um fim de dia e início de noite de partilha cultural que resultou numa atmosfera muito amigável e próxima entre as várias pessoas do público e os responsáveis pelas casas. A probabilidade de se repetir este evento está de pé e o público enaltece e apoia próximas iniciativas deste género na cidade de Faro.

Fotografias cedidas pela organização



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