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Offbeatz

“Mandem mails!”

O Offbeatz diz-se “um movimento urbano e criativo de apoio, divulgação e discussão de tudo o que mais excitante se faz no panorama musical”´. O Offbeatz integra o Labz, “uma plataforma internacional e multidisciplinar de promoção, divulgação e programação de talentos na área da cultura urbana”. O Offbeatz é dinâmico e gratuito. Leva duas novas (ou não) bandas portuguesas e mostra videoclips todas as semanas. Às Quartas-Feiras, no Musicbox. Falámos com Sara Ribeiro (Produtora Executiva), Sílvia Dias (Promoção) e Vanda Noronha (Fotografa).

Começaram no Frágil, não foi?

Sara Ribeiro (SR): Sim, em Maio deste ano.

Porquê a mudança de local?

SR: Para começar, porque tínhamos ambições como o programa na Sic Radical e o Frágil, embora seja um sítio maravilhoso, não era o ideal para o programa e, a nível estético, o palco tinha, por exemplo, uma barra a meio.

Silvia Dias (SD): Era mais pequeno…

SR: O Musicbox é maior e nós queríamos crescer. Ao nível de estética – para um programa de televisão -, o palco é mais amplo e temos uma tela. Temos mais condições. O Musicbox é uma boa sala de concertos, é uma sala conhecidíssima e isso também joga a nosso favor. Não desvalorizando o Frágil – nós gostámos de estar lá, mas era pequenino.

Por falar em ambições, no Myspace revelam vontade em alargar o Offbeatz para outras cidades.  Para quando?

SR: Isso está definitivamente nos nossos horizontes. A pessoa que criou o conceito, o Rui de Brito, e que serve de mentor para nós todos, tem essa ambição. Aliás, a plataforma em que isto está inserido, a Labz, pretende levar tanto o conceito do Shortcutz – que é exactamente a mesma coisa que o Offbeatz, mas para curtas metragens – como o do Offbeatz a outras capitais.

SD: Mas antes é preciso consolidar o projecto em Lisboa, ter o programa [na Sic Radical] e depois começar a pensar na expansão.

Tenho aqui uma citação retirada do Myspace: “A divulgação de tudo o que é mais excitante e inovador…” O que é, para vocês, excitante e inovador?

SR: Para todos os projectos musicais e videoclips que entram no mundo do audiovisual – pela sua actualidade, inovação e originalidade -, o Offbeatz pretende ser uma plataforma de expressão. [O Offbeatz] joga mesmo em função dessas pessoas. É uma plataforma, uma montra em que temos exposto o que de mais actual, inovador e interessante se faz em vários campos.

SD: É as bandas pensarem que têm aqui um palco, que têm o Musicbox disponível todas as semanas, com público – que já é público do Musicbox – que vem para descobrir bandas novas. Entre os nossos colaboradores, existem várias pessoas ligadas ao meio que vêm regularmente assistir e ficam a conhecer. As bandas mostram-se a estas pessoas que lhes podem abrir portas e, para além disso, têm o programa na Sic Radical que aumenta a audiência – que não iam provavelmente conseguir ter em tão curto espaço de tempo. A nossa procura e o nosso interesse em ter parceiros como a Radar, a Sic Radical, o Musicbox – que também faz a divulgação no site – e a DIF é para potenciar toda a divulgação que nós podemos conceder a estes projectos. É uma coisa que as bandas podem ter em conta e que está à disposição delas.

Uma rampa de lançamento?

SD: Exactamente!

SR: Tanto para isso, como para bandas consolidadas que cá vêm e já têm a sua carreira. Imaginemos que tem um disco novo ou um “single” e que querem apresentar um conceito diferente em palco – isto também serve para isso. Não só potenciamos a divulgação às bandas novas, mas também às que já estão aí e que as pessoas conhecem.

VN: Era bom habituar o público a cá vir às Quartas-feiras, a ouvir coisas que não conhece, a ver concertos e ir um bocadinho além do que está sempre a passar nas rádio, ir um bocadinho além do que já está consolidado, do que toda a gente conhece. Eu tenho descoberto imensas bandas novas só por estar aqui a fotografar e, antes disso, oiço o que é divulgado para a semana que vem no Myspace. Tenho encontrado coisas muito boas e muito giras que não sabia que existiam. E era bom que isto se tornasse num hábito cultural, vir aqui ouvir coisas novas.

SR: A ideia do movimento em que o Rui de Brito tanto insiste tem um fundamento que é mesmo esse: O movimento. É vires todas as Quartas[-Feiras] ver e descobrir. A ideia de termos um magazine [na Sic Radical] – a inovação que nós temos nesta temporada, chamemos-lhe assim – é potenciar isso mesmo, chegar a mais público. Tens o evento ao vivo, mas depois podes fazer parte dele na televisão. Aquilo que viste e gostaste tens na televisão.

SD: A ideia do programa de televisão não é ser só uma repetição do que se passou aqui. No programa de televisão são feitas entrevistas com as bandas, com os realizadores, e as bandas que apresentam os videoclips. Podem ficar a saber mais sobre essas bandas, os gostos, as fontes de inspiração… [é] aproximar as bandas do público.

É difícil arranjar apoios?

SR: Estamos a tratar disso. É claro que pensamos em apoios, temos toda uma equipa competente a trabalhar. Estou a falar como produtora. As coisas fazem-se sem apoios – e o Offbeatz é uma prova disso – basta ter recursos humanos, pessoas interessadas com vontade e que acreditam. Tens aqui a Vanda [Noronha] que é fotógrafa, tens a Sílvia [Dias] que trata da comunicação juntos dos meios e todos nós acreditamos neste conceito. Dispomos da nossa vontade e [oferecemos] as nossas noites de Quarta-Feira – e o resto da semana – que isto é um trabalho continuo – a fazer isto.

SD: Quando perguntaste por apoios, referias-te às parcerias que temos?

Exactamente.

SR: Sim, nós tentamos ir ao encontro de entidades que apostam. Por exemplo, com a Radar e com a Agência Lusa, com o Pedro Moreira Dias que também apoia a música portuguesa. Temos a DIF, uma revista cultural e urbana de distribuição gratuita que vai muito de encontro do nosso conceito – também aqui a entrada é gratuita. Penso que no futuro vai ser assim – tens as coisas à tua disposição e tu fazes a tua parte: filtrar as coisas. E é esse o nosso conceito no Offbeatz. A todos os projectos que passam aqui queremos potenciar aquilo que eles estão à espera – uma banda, um videoclip, um realizador: Querem [todos] divulgação e nós ajudamo-los nisso. Nós estamos aqui por causa deles.

O feedback dos colaboradores e músicos tem sido positivo?

SR:  Temos pessoas que gostam e que vêm aqui. Temos realizadores como o Paulo Prazeres, temos músicos [como] o Rui Pregal da Cunha [que] esteve aqui a apresentar um videoclip com Os Golpes – ele também aposta neste conceito. É essencial termos várias pessoas de várias áreas que acham que isto é mesmo importante. Porque é uma coisa que foge um bocado ao conceito de concerto – são quatro temas que uma banda vem apresentar. Tens os videoclips que não têm muita exposição hoje em dia e, além disso, o magazine que vamos ter na Sic [Radical] vai ser o único espaço regular dedicado à música portuguesa. É umas coisas que achámos que fazia falta.

VR: Os videoclips também dão oportunidade aos realizadores de falar sobre o seu trabalho que é uma coisa que eles, geralmente, gostam de fazer.

SD: É o público [poder] falar com os realizadores e com as bandas. Também há espaço para fazer perguntas, dar opinião – e isto é um ponto fundamental, porque tentamos incentivar essa relação entre o público e os artistas. As bandas quando chegam não vão para o backstage esconderem-se até entrar em palco. Elas estão aqui, estão a tomar um copo e quem quiser fala com elas.

SR: Já tivemos Rui Pregal da Cunha, o David Fonseca e projectos que estão a ter muita atenção como Noiserv e Macacos do Chinês. De repente, uma pessoa está a cinco centímetros do artista e pode conversar e perguntar, o que é uma coisa que não tens normalmente. Todas as Quartas-Feiras nós insistimos nisso. Relativamente aos colaboradores, tens aquela lista toda no Myspace. Eles aceitaram porque se identificaram de alguma maneira e também são público das sessões. Não quer dizer que não possam participar com os seus projectos. Há toda uma comunidade, cada vez maior, que apoia o Offbeatz.

VN: O facto de haver bandas a querer voltar a participar é um bom sinal.

SR: Sim, nós estamos a repetir.

VN: A rapariga das Chic esteve cá na semana passada. Já cá tinha estado na nossa “primeira temporada” [no Frágil] e quis voltar. Há bandas que aproveitam este espaço que lhes está a ser dado. Outras, se calhar, ainda não conhecem e ainda não perceberam o conceito…Mandem e-mails! (risos)

Os colaboradores são muitos. Como é feita a gestão?

SR: O convite é feito e todas as semanas e temos todo o prazer em recebe-los, mas claro que as pessoas têm as suas vidas agitadas. Muitos são músicos e realizadores – têm os seus afazeres. Quando não estão a participar com os seus projectos, vêm ver e descobrir, [mas] claro que não vêm todos. É uma actividade rotativa. Nós fazemos isto todas as semanas.

Quem está cá hoje por exemplo?

SR: Hoje já está cá o Paulo Prazeres, mas não te posso dizer quem está cá, porque ainda não começou (risos). Mas já tivemos situações giras. Por exemplo, bandas de hip hop que até vieram do Porto que tiveram o Sam the Kid na plateia. Os Pontos Negros também já viram bandas que estão a começar. Todo aquele leque de colaboradores vai aparecendo. Claro que não podemos assegurar que estejam em todas as sessões, mas fazem parte do nosso público habitual e isso é muito giro. A referência que fiz ao Sam the Kid, o facto de ele estar a ver uma banda de hip hop, a relação é óbvia, o estilo musical identifica-se. É importante para aqueles miúdos que estão a começar ter uma referência que já se estabeleceu.

Quem sabes se os pode vir a produzir…

SR: É esse tipo de interacção que é muito gratificante para ambas as partes.

SD: É muito orgânico. As pessoas vão aparecendo, circulando, entrando e saindo.

SR: Uma coisa muito gira que se tem notado é que as bandas que actuam no Offbeatz, depois começam a vir. Por exemplo, Os Golpes estão aqui muitas vezes para ver projectos que eles apoiam e outros [que estão] por descobrir. Já tivemos os Youthless [também].

[Aparece Paulo Prazeres e troca uma ou duas palavras com as entrevistadas. A RdB aproveita para colocar uma questão]

Por acaso estávamos a falar relativamente à gestão que é feita com os colaboradores. O Paulo Prazeres costuma vir ao Offbeatz?

Paulo Prazeres: Várias [vezes], sempre que posso – gosto muito. A ideia é [fazer] surgir aqui esse tal movimento. A ideia é envolver o pessoal que ainda está a perceber como [isto] é. Dar um espaço de liberdade para ver se acontece algo de interessante. A ver se acontece um rasgo de génio no meio da coisa.

SR: O que é giro é que tu no Offbeatz às tantas tens sessões com bandas que provavelmente não conheces, mas que amanhã vão ser grandes nomes. Nós vamos ter o arquivo de todas essas bandas, o que está a ser filmado – não só para o magazine, filmamos as sessões que vão estar à disposição dessas bandas. Temos a fotógrafa oficial, a Vanda Noronha, que está a fazer toda a cobertura – isso daqui a uns anos pode ser valioso. É como olhar para os Rolling Stones quando eles eram novos e ter aqueles arquivos – decadentes, muitas vezes -, eles estão lá.

VN: Está [aqui] uma excelente oportunidade para as pessoas se gabarem daqui a uns anos: “Ah e tal eu estava lá quando eles estavam a dar os primeiros concertos, estava naquele concerto no Musicbox e já os conheço há imenso tempo, antes de eles serem grandes”.

SR: Depois quando eles forem comerciais dizem: “Ah agora não”.

VN: “Gostava mais quando eles não eram tão vendidos, quando eram mais indie e estavam a dar concertos para menos pessoas”. É uma excelente oportunidade. Todo o registo que está a ser feito, está a ser um excelente “snapshot“ do que está a acontecer neste momento, em Lisboa e em Portugal, em termos de música – e isto é incrível. Espero que isto dure muitos anos porque vai ser sempre actual. As pessoas daqui a 20 anos podem olhar para trás e ver inícios de carreira de imensa gente com coisas espectaculares e que neste momento só precisam de divulgação. De mais nada.

Este conceito faz lembrar um pouco os tempos do Rock Rendez Vouz. Os videoclips e as actuações. Querem trazer público que se reveja nesse conceito?

SR: Não posso falar da ideia original, porque a ideia não é minha. Sei que não nos queremos limitar a nenhum tipo de público, queremos que venham pessoas de várias áreas. O Rock Rende Vouz teve uma altura – nós alargamos [o conceito]. Não temos um público alvo, queremos que as pessoas venham todas conhecer os projectos, conhecer vídeos e conhecer música.

VN: Às vezes, os mini concertos são em dois registos completamente diferentes. Não interessa – é música nova e é boa.

Filtram as bandas?

SR: Filtramos no sentido em que eu, como programadora, posso dizer que aquilo que me inspira e que é actual e inovador de alguma forma, que é coerente e tem  uma identidade própria, tudo o que me parece interessante e que eu acho que vale a pena dar uma oportunidade – e que é muita coisa que existe em Portugal – tem aqui um espaço. À partida não digo que não. Os colaboradores também enviam as suas sugestões, temos toda a equipa a trabalhar. Estamos abertos a todas as bandas. Mandem-nos um DVD se for um videoclip, Um realizador, se estiver a começar, que fale connosco. Bandas a começar que, se calhar, só têm duas músicas, mas que pensam “Ok, vamos tentar fazer quatro para o Offbeatz”.

SD: No Myspace e no facebook estão os contactos. Mesmo que não conheçam ninguém na organização podem contactar na mesma e enviar trabalho.

Relativamente ao momento da música portuguesa. Canta-se mais em português. Qual é a vossa opinião?

SR: Eu aprendi com o Rui de Brito – mais uma vez tenho que o mencionar porque ele tem muita razão – que séries como os Morangos com Açúcar ensinaram as pessoas a ouvir português, a habituarem-se à nossa língua. E isso influencia todas as áreas. Recentemente, de há dois anos para cá, surgiu aquela onda de se cantar em português com fenómenos como a FlorCaveira. Acho que isso é de valor, mas não nos limitamos à música portuguesa. Há música feita cá de muitas línguas e muitos estilos que tem muito valor. Mas muitas vezes não te apercebes. Não apostam nela ou são apenas projectos de lazer, hobbies, ou são apenas conhecidos localmente ou as pessoas não têm acesso – existe o Myspace, mas nem toda a gente pesquisa. Nós temos acesso e queremos divulgar coisas que não são tão conhecidas. Estamos aqui para descobrir coisas interessantes e novas e dizer “Pessoal, está aqui!”. A música portuguesa cada vez tem mais vontade, força e identidade. Cada vez as pessoas apostam mais num conceito e é mesmo isso de que se trata, um conceito – mostrares que há uma personalidade enquanto banda. Passa melhor para as outras pessoas quando há personalidade e identidade marcada.

VN: [A música portuguesa] acho que tem ganho uma força nova. Aparecem muitas bandas, [mas] eu não vou dividir entre as que cantam em português ou as que não o fazem. Importa-me que sejam bandas portuguesas e, nos últimos anos, a música portuguesa tem ganho uma nova força. E se é bom, há um palco [aponta para o Musicbox]. Podem cantar em alemão ou em francês. Se é bom merece divulgação e merece um palco. Mandem mails! (risos)

SR: Temos as nossas caixas à espera.



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