Os Tornados ao vivo no Musicbox, 24/9.

Os Tornados @ Musicbox

Uma banda feliz.

Semana peculiar no Musicbox. Não que seja acontecimento raro isto de por lá passarem projectos de origem nacional – não é, acontece todas as semanas -, mas, desta feita, a programação semanal foi exclusivamente dedicada a bandas portuguesas. Primeiro os Lost Park, misterioso power trio de Vila Real, com a apresentação do novo disco homónimo. Depois a Matilha, a primeira banda a sair com o selo do Movimento Alternativo Rock (MAR), depois ainda os Iconoclasts, infeliz reciclagem daquilo que algumas bandas da moda fazem lá fora, também a apresentarem o seu disco de estreia. E por fim, neste dia 24 de Outubro, Os Tornados, eles que estão a promover o novo EP, um entusiasmante “Dinamite”, promovido sob a estética de “Reservoir Dogs”, o (primeiro) clássico de Tarantino. Assim vai a reentré nacional, colheita de 2011.

Quando Os Tornados sobem ao palco com o cumprimento: “Boa noite, Lisboa”, parecem vir de um país distante, é o tipo de saudação que ouvimos de uma banda saída de um qualquer outro país que não Portugal, num festival de Verão, por exemplo. Mas logo completam: “Nós somos Os Tornados e vimos do Porto”. O que se segue é um concerto para poucas (mas colorosas) dezenas de pessoas, em pouco mais de uma hora de um espectáculo que passa pelo disco de estreia, o novo EP e “canções que nunca viram a luz do dia”.

Como referimos no artigo “Estes Tornados são Cães Danados”, a banda vai directamente aos anos 60, os anos 60 dos Shadows, dos Searchers e do surf-rock de Dick Dale. Perto da saída para encore, Marco Oliveira, o homem das teclas, pega na harmónica e, com o cabelo encaracolado e desgrenhado, chega a lembrar Dylan. O visual deve muito aos Gerry & The Pacemakers – fato, gravata, uma banda que raramente perde a compostura. Podiam ser uma manhosa banda de covers – era esse o objectivo inicial, sem a parte “manhosa” -, mas têm mais pinta assim. E têm canções, canções como «Catraia» que provam que a decisão foi a mais acertada – ouvimos alguém exclamar “é esta”, ao mesmo tempo que notamos os primeiros acordes da dita canção. Os Tornados são uma banda feliz, as canções obrigam-nos a adulterar o slogan, isto aqui é “amor, praia & rock n’ roll”. Atente-se, por exemplo, a «Baby Baby», porventura a melhor canção d’Os Tornados – é uma canção de perda, um amor já pouco ou nada correspondido, mas, nas mãos d’Os Tornados, é uma canção feliz, a canção do homem destroçado, mas que quer sair por cima – é, enfim, uma canção sobre a dor de corno.

No regresso para encore, revelam: “Vamos tocar mais três músicas para vocês”. No meio, ou seja, a canção número dois, está um cover de «Negro Gato» de Roberto Carlos, que acaba por se tornar no momento mais surpreendente de um espectáculo que nada teve a ver com um filme de Tarantino.



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