Philarmonic Weed

A entrevista que marca o regresso do projecto.

Com as gravações do novo álbum já terminadas e em fase final de produção, os Philharmonic Weed encontram-se numa fase de descoberta e reinvenção, uma saga que começou em 1997 e que agora começa a dar frutos. Com um EP anteriormente editado, “Capital Som”, a banda de «Back to the roots» lança agora o seu primeiro longa duração, intitulado “Primeiro Mundo”. Nada como uma conversa com o vocalista e guitarrista Milton Gulli para esclarecer quais os novos caminhos para os mesmos objectivos, novos sons para a mesma força afro.

RDB – Com o novo disco quase nas ruas o que nos podem dizer sobre este novo trabalho, o que podemos esperar?

P.W. – Milton: Acima de tudo um trabalho que foi feito com muito carinho e muito cuidado. Achamos que escolhemos os melhores temas para retratar os Philharmonic Weed dos dias de hoje. È um cozinhado de música negra actual e antiga mas com um tempero à la Philharmonic. Tanto vamos buscar a música negra anglo saxónica como o funk, a soul e o jazz, como vamos à diáspora da música africana como o afrobeat, os ritmos tradicionais dos Palops, os ritmos latino-americanos ou os ritmos das Caraíbas onde o maior exemplo é o reggae.  Preocupámo-nos bastante com a produção do álbum, tanto em termos de arranjos como do som final em si.

RDB – O álbum foi produzido por vocês no estúdio “Nascer do Som” e com a participação de inúmeros convidados, entre eles Sam the Kid, Melo D, João Gomes (Cool Hipnoise), Prince Wadada. Até que ponto estas pessoas influenciaram o vosso som?

No fundo são os nossos artistas portugueses preferidos. Achamos que o Sam the Kid é o melhor MC português e no mesmo tema participa também o DJ Nel Assassin que para nós é o melhor DJ de Hip Hop e um mestre na arte do scratch. O Wadada é o melhor em dancehall e um fã de Philharmonic desde o “Capital Som”. Contámos também com a participação do músico americano Jesse Chandler, que tocou órgão Hammond num tema. Os Cool Hipnoise sempre foram uma grande influência para nós e para mim foi uma honra quando me convidaram para ser o novo vocalista. Continuar o trabalho iniciado por Melo D e depois pelo 2º vocalista Orlando Santos está a ser uma experiência fascinante. Acabámos por gravar este disco no estúdio Nascer do Som, que pertence a João Gomes e Francisco Rebelo dos Cool Hipnoise, por acharmos que eles entenderiam melhor a mensagem e o som que pretendíamos.

RDB – As vossas letras sempre foram de carácter intervencionista e está sempre presente a crítica social. Acreditam que a palavra ainda tem poder?

Sempre. E pode ter ainda mais poder se juntarmos a palavra à música. A música é uma espécie de propaganda inconsciente, nunca sabemos quando ou de que forma nos vai atingir. Mas quero salientar que os Philharmonic Weed são completamente apartidários, simplesmente queremos apontar o dedo a situações que achamos injustas e desumanas. E se pudermos dizer algumas verdades duras mas com um embrulho musical bastante acessível… ainda melhor.

RDB – Agora, de volta às raízes. Em que ano se formaram os PW? Como foi o vosso caminho até aqui?

Em 1997. Eu, a Marisa e o Ricardo fomos os fundadores. Inicialmente eu tocava guitarra, o Ricardo tocava baixo e a minha irmã Marisa era a baterista. Nessa altura sabíamos já o som que queríamos fazer, só que ainda não sabíamos como pô-lo em prática, talvez devido às nossas limitações da altura como músicos.

Depois passaram vários baixistas e bateristas pela banda, o Ricardo passou para a guitarra acústica, eu comecei a cantar e a Marisa passou para a percussão. A Rita (voz, coros e teclas) que era colega da Marisa na faculdade entrou em 1999. O Tiago (bateria) e o Renato (Baixo) entraram em 2004. Em 1998 demos o 1º concerto em Sintra. Em 1999 começámos a participar em vários concursos de bandas de garagem, tendo arrecadado o 1º prémio em vários. Em 2001 fomos convidados para representar Portugal no Festival Mundial da Juventude no Panamá e fizemos a 1º parte dos jamaicanos The Gladiators nas Festas de Lisboa. Em 2003 editámos o nosso EP de estreia “Capital Som” o que nos valeu bastante airplay nas rádios. Em Março de 2005 começámos a gravar este último disco.

Sentem que, com este novo álbum, podem dar aquele passo em frente na consagração de um trajecto que já vem longo?

Sim. É isso que esperamos com este novo álbum, que nos leve a mais sítios, mais pessoas, e que o nosso trabalho seja finalmente reconhecido.

Sabemos que têm trabalhado noutros projectos, fazendo parte de colectivos musicais como os Cacique ‘97, onde metade da banda transitou dos PW, Doctor J, e ainda os No Agreement Soundsystem. Sentiram necessidade de expandir o vosso património musical, criando novos projectos como os Cacique ‘97?

Claro, um músico ou artista não se deve compartimentar num determinado estilo ou movimento. O colectivo afrobeat Cacique´97 foi outra forma de expressão que encontrámos para veicular as nossas influências e as nossas ideias. Cacique´97 é um colectivo exclusivamente afrobeat na tradição de Fela Kuti, Tony Allen, Femi Kuti, Antibalas, etc. Enquanto que o Philharmonic Weed é um projecto abrangente de música negra, Cacique´97 reduz o espaço de acção ao afrobeat ou afrofunk. Mas é um projecto diferente dos Philharmonic, a formação conta com 9 elementos, tem uma vertente mais electrónica e tem também uma secção de metais.

Depois do novo álbum, do novo site, brevemente online, têm planos para uma tournée em 2006?

Sim, além de Portugal estamos a planear uma tournée pelo Brasil, assim como algumas incursões a França, Bélgica e outros países da Europa. Vamos fazer os possíveis para editar o novo disco no mercado internacional. Vamos apontar bastante para o mercado brasileiro, porque afinal falamos a mesma língua, e achamos também que o Brasil seria um país susceptível de receber a nossa música e a nossa mensagem de braços abertos.



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