Royalistic

“Visão Periférica” em análise na RDB.

De pequeninos, ensinam-nos que é feio apontar o dedo, mas Royalistick manda esse ensinamento às urtigas e aponta o dedo àquilo que normalmente se chama de “sistema”. Fá-lo com propriedade, fala do que conhece, conhece o que fala. Percorre a ténue fronteira entre a Intervenção consciente e o cliché negativo de “puto revoltado com a mania que o olham de lado” (expressão de Martinêz).

É difícil ser-se interventivo no contexto actual do Hip-Hop. Os outsiders tendem a não dar a importância a este tipo de Rap, devido a um sem número de estereótipos que condicionam a avaliação correcta do que se ouve e da mensagem que o Rapper tenta passar. Logo, o discurso de Royalistick, pode passar despercebido à grande maioria dos ouvintes esporádicos, facto que não chega a ser um risco, mas sim uma maneira de estar.

Falemos então da parte musical: “Visão Periférica” conta com instrumentais pesados, coerentes com o ambiente das letras, mas que tornam o álbum, por vezes, enfadonho e algo repetitivo, mesmo tendo Royalistick recorrido a vários produtores. Se, teoricamente, isso seria sinónimo de ambientes sonoros diversificados, na prática isso não se verificou.

O que sobra em participações na área da produção, falta na área vocal, sendo as colaborações a esse nível reduzidas a duas vozes femininas, o que também ajuda à sensação de repetição que nos invade ao longo das catorze faixas.

Resumindo, “Visão Periférica” é um álbum com fortes argumentos para não cair no esquecimento, não sendo, no entanto, um clássico.



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