Razorlight

Novo disco de originais, nº1 na tabela inglesa de discos mais vendidos. O baixista Carl Dalemo esteve à conversa com a RDB

“Up All Night”, datado de há dois anos, apresentou ao mundo os Razorlight, mais um grupo de amigos que decidiu pegar em guitarras e tirar os All-Star do armário. Só isso? Por vezes sim, mas não raras vezes eles tentam provar que não (escute-se o espantoso novo single «America»).

Estiveram praticamente certos na edição recente do Festival Paredes de Coura, mas a estreia em solo nacional ficou adiada. Até lá, algumas impressões do bem-disposto baixista Carl Dalemo sobre o que é isto de estar numa banda rock em pleno Século. XXI.

Disco novo de originais e número um na tabela de discos mais vendidos em Inglaterra. Antes de mais os meus parabéns. Onde estavam vocês quando souberam da notícia?
Obrigado. Hum… (pausa) estávamos em Itália a tocar com os Rolling Stones, creio.

Chegaram a conhecer o Senhor Jagger?
Sim, sim. Todos os Stones foram muito simpáticos connosco e foi espantoso ter a oportunidade de poder tocar com eles.

Carl, sendo tu o membro mais novo da banda: que tal é estar nos Razorlight? Ser uma estrela rock foi sempre um desejo teu?

Sim, sem a menor dúvida (risos). Até aos meus onze anos o meu sonho era ser jogador de futebol do AC Milan, mas a partir dessa idade voltei-me para o sonho de ser uma estrela do rock (risos). As primeiras coisas que me despertaram o gosto para a música foram uns quantos discos de punk que tinha lá por casa. Acho que foi aí que nasceu o bichinho para a coisa.

Desde o vosso primeiro single até aos dias de hoje muitas coisas aconteceram convosco, tudo isto em pouco mais de três anos. Actualmente, sendo os Razorlight um dos maiores grupos de rock em Inglaterra, não sentes que se passou tudo demasiadamente depressa?
Analisando a frio, de facto podemos dizer que foi tudo muito rápido. Mas quando estás a passar por isso tudo – pelos concertos, as gravações, os discos, a promoção – não pensas em nada nisso e as coisas surgem-te como naturais. Ou seja, trabalhámos ao longo destes anos para que as coisas acontecessem. Mas sim, olhando calmamente sobre tudo isto há de facto que dizer que tudo se processou de forma relativamente rápida.

Sobre o novo disco, “Razorlight”: sentiram alguma pressão extra pelo facto de este ser o vosso segundo álbum de originais? O tão falado receio do segundo disco…
(pausa) Nem por isso, sinceramente.

Essa pressão acaba por surgir mais da imprensa britânica, que, parece-me a mim, enfatiza mais algumas declarações do Johnny [Borrell, vocalista] do que propriamente a vossa música. Como lidas com isso?
É simplesmente ridículo, não tem explicação. Já nos habituámos a lidar com estas questões, mas tens toda a razão quando traças esse perfil de alguma imprensa musical britânica. Musical e não só (risos).

Parece-me que o novo disco é muito mais abrangente que o primeiro, com diversas outras influências e alguns recortes de vários estilos musicais até agora não vistos nos Razorlight. Concordas?
Claro, sem dúvida. O nosso primeiro disco foi o melhor que podíamos fazer na altura. Entretanto, crescemos enquanto pessoas e, fundamentalmente, enquanto músicos.

Basta ouvir uma faixa como «America», o vosso novo single, para perceber que os Razorlight de 2004 seriam incapazes de produzir um tema de tão variadas influências…
Sim, tens razão. O «America» é de facto um dos temas fortes do novo disco, que pega em sonoridades um pouco diferentes das do costume nos Razorlight.
 
Li uma entrevista tua onde referias que, cito, “tocar ao vivo é a melhor coisa de estar numa banda”. Confirmas? De onde vem esse gozo, da recriação dos temas para a sua apresentação ao vivo?
Mantenho tudo o que disse (risos). Em termos de adaptar os temas não existe grande problema, não alteramos significativamente as canções. Posso-te é garantir que a sensação de um bom concerto supera qualquer outra coisa. É algo indescritível.

Nos anos 90 o Reino Unido deu-nos a vaga Britpop (Suede, Oasis, Blur). Hoje em dia, temos bandas como os Razorlight ou os Franz Ferdinand apostadas em recuperar um certo rock bastante distante do de então. Vivemos uma boa época para se fazer música no Reino Unido?
Sem dúvida. Em Inglaterra, Londres mais exactamente, é impressionante a quantidade de clubes e bandas que tens. Todas as noites tens algo para ver, de estilos diferentes, em locais diferentes. Oferta há imensa e vontade de criar também.

Em jeito de conclusão, um aparte futebolístico: sei que vibraram com este último Mundial de Futebol, não foi?
Sim, toda a banda é fã de futebol e assistimos a quase todos os jogos.

Apesar de seres sueco viveste intensamente o jogo de Portugal contra Inglaterra, não?
(risos) Eu sou sueco e não senti tanto esse jogo como outros membros da banda, por motivos óbvios. Aliás, analisando bem, creio que esse jogo foi muito fraquinho, não achas?

Um pouco. O jogo é mais recordado por todo o folclore à volta da suposta atitude do Cristiano Ronaldo…

É impressionante, acredita. Em Inglaterra toda a gente culpa o Ronaldo pela derrota, mas a verdade é que ele não teve culpa que o Wayne Rooney cometesse aquele disparate. De qualquer forma, depois dos quartos-de-final os jogos pioraram imenso, as equipas estavam todas com receio de perder e arriscavam muito pouco.



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