Danko Jones

O diabólico trio canadiano está de volta a Portugal.

Quando, em 2003, meses antes do início do Festival de Paredes de Coura, a organizadora comunicou o cancelamento da presença dos Mars Volta, foram muitas as vozes de lamentação que se levantaram. A organização prestou-se a arranjar uma banda de substituição, mas o anúncio da presença de um certo trio canadiano, de seu nome Danko Jones, não foi muito apaziguador.

A 21 de Agosto estreavam-se então em solo português os Danko Jones. Eram a segunda banda da noite em Paredes de Coura e o recinto estava ainda um pouco vazio, com muita gente sentada – aqueles três canadianos eram praticamente desconhecidos da maioria. Mas quando o concerto chegou ao fim, o público estava completamente rendido.

Agora, três anos depois, esta é a quarta visita do trio canadiano a Portugal, que já se tornou paragem obrigatória no mapa das digressões da banda. Depois dos festivais de Paredes de Coura e da Ilha do Ermal, do Musicais e do Porto Rio, chegou a vez do Garage e do Hard Club receberem estes diábolicos rockers, que fazem da premissa sexo, drogas e rock’n’roll o seu lema de vida, com principal ênfase no primeiro e no terceiro. O encontro está marcado para dia 11 de Abril, na capital, e dia 12 na cidade do Porto. Ambos os concertos terão os Tokyo Dragons na primeira parte.

A história do trio canadiano remonta a 1996, quando Danko Jones (na voz e na guitarra), Damon Richardson (na bateria) e JC (no baixo), se juntaram com um sonho em comum: fazerem do rock as suas vidas. E logo da única forma válida – na estrada, dando concertos e criando uma reputação. E conseguiram-no: em poucos anos, mais do que uma reputação, criaram um mito à sua volta, gerado pelas suas actuações diabólicas de rock’n’roll e soul-funk, feitas a suor e sangue.

Danko Jones era o líder da banda, não só por emprestar o nome, mas pela sua personalidade forte, que o transformam num dos frontmans mais comunicativos do género dos últimos anos: numa mistura entre os pregadores gospel e as estrelas rock dos anos 50, Danko Jones canta o sexo como Barry White cantava o amor, numa relação muito própria com as mulheres, algures entre o libidinoso e o promíscuo.

Mas o mundo já deu muitas voltas desde que Elvis gravou «That’s Alright Mama» e os Danko Jones provaram o triste sabor da realidade: viver assim não era suficiente para ganhar a vida. Tornou-se então inevitável um contrato com uma produtora, que andavam desesperadas por agarrarem aquele fenómeno musical. Foi assim que surgiram os primeiros EPs e em 1999 o álbum “My Love Is Bold”, uma colecção de temas compostos nesses três anos de estrada.

Em 2002 “Born A Lion” era o primeiro álbum a sério, que rapidamente entrou nas playlists um pouco por todo o mundo, graças a uma sonoridade que ia de beber o que de melhor há no hard-rock (alguém mencionou os AC/DC ou os Thin Lizzy?) e no motown (alguém falou em Joe Tex ou em Sly And The Family Stone?). Um ano depois chegava aos escaparates “We Sweat Blood” e agora, três anos depois, é a vez de “Sleep Is The Enemy”.

É este álbum que a banda traz na bagagem para apresentar ao público português. E para quem ainda não o ouviu, posso garantir que se gostou dos anteriores, então não irá desgostar deste. É certo que “Sleep Is The Enemy” está mais perto de “We Sweat Blood” do que de “Born A Lion”, que é como quem diz mais hard-rock e menos soul, mas o essencial mantém-se: refrões orelhudos, riffs arrasadores e linhas de baixo diabólicas. Rock’n’roll a sério!



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