Rhye

Rhye

Desassossego de sentimentos em modo sonoro

Tenho a confessar que quando ouvi a música «The Fall», dos Rhye, fiquei completamente vidrada em loop mode. Dei por mim a ouvi-la nos headphones, no carro, em casa e a falar dela aos amigos. Uma voz que me tocou nas entranhas e me fez levitar em cada palavra: “oooh, make love to me, one more time, before you go away, why can’t you stay?’’. Talvez por me identificar (dizem que as músicas certas aparecem naqueles momentos…), fui investigar: descobri a «Open» e foi a mesma sensação – “caught in this pool held in your eyes, caught like a fool without a line, we’re in a natural spring, with this gentle sting between us’’. Amor à primeira escuta. Simples, fácil e sem drama. Quero mais, quero ouvir mais, quero saber…. quem são os Rhye?

Desvendando o pequeno mistério, Rhye são Robin Hannibal e Mike Milosh. Estes senhores são produtores e multi-instrumentistas distinguidos no meio. De Milosh já conhecia alguns trabalhos como a «Remember The Good Things». Mas a história desta fusão com tempero certo começa em 2010, quando Hannibal contacta Milosh para fazerem um remix de uma música dos Quadron (banda de Hannibal). Juntos iniciam o projecto Rhye, embrulhado em segredo e completo anonimato, e lançam o EP “Open up’’ (Innovative Leisure Records, 2012). Claro que isto foi uma espécie de bomba no mundo da música e, para aumentar ainda mais o hype à volta da sua identidade, surge um vídeo no youtube de Milosh a cantar o single «Open» ao piano, para a sua mulher, sem se dar a conhecer. Outro aspecto delicioso e intrigante é a confusão da voz. Quem escutar estes temas e não pensar logo que é uma mulher a cantar, que levante o braço. É uma voz íntima, demasiado próxima, anestesiante, sexy e remete imediatamente a Sade ou Tracey Thorn. Mas no fundo é a de Milosh, um homem. Continuam confusos?

Em Março de 2013 nasce o primeiro álbum, “Woman” (Universal Republic, 2013) com o selo da Pitchfork como Best new music, pontuação de 8.5 (escala de 0 a 10). Todo o artwork envolve corpos sensuais, fotografados delicadamente a preto-e-branco. Espremendo o sumo das canções, deparamo-nos com o típico jogo da paixão, esse vaivém alucinado de fim incerto, que se consome até mais não se poder como em «3 Days» – “There’s a window in time, 3 days to feel each other, crack this spine. It’s gonna break, cave in on itself. Love is terminal not built to last. Burn bright, burn fast’’ – ou em «Verse» – ‘’Oh my song, says it all. Do you hear it in the verse? Ain’t got a second to waste’’.

Fala-nos de sentimentos e do negro do fim de um relacionamento, bastante explícito no tema «Last Dance» que, ao som de um ligeiro beat, diz ‘’Oh, this last dance, turn away, turn away. Oh, this last dance, touch mine. Don’t walk away. Tell me lies and fall apart. But don’t tell me to change’’ ou em «Shed Some Blood» com ‘’Sitting in your space, asking myself “why”. You can’t stay love. I’m walking through that door’’ e ouvimos ‘’Thought it was made for us. Now we’re eating our own eyes’’ em «Hunger».

Neste disco também há temas ditos “menos felizes”, de que não gostei particularmente por em nada terem a ver com a sonoridade que me fez colar em Rhye, como «Woman» e «One Of Those Summer Days». Ao vivo, actuaram recentemente no SXSW. Será que os veremos por terras lusitanas? Por aqui, dedos cruzados.



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