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Seun Kuti @ CCB

29 de Agosto.

Agosto é mês de férias. Os concertos escasseiam e os festivais são um oásis que tem vindo a secar – há cada vez mais festivais a começar em Julho. Não deixa, portanto, de ser surpreendente que o concerto de Seun Kuti – um dos filhos do mestre Fela Kuti – tenha enchido o Centro Cultural de Belém (CCB), num concerto inserido no Festival CCB Fora de Si. Nas bilheteiras ouvia-se: “vendemos 200 bilhetes em uma hora”.

Oluseun Anikulapo Kuti, o verdadeiro nome de Seun Kuti, é um jovem de 27 anos que pegou nas lições afrobeat criadas pelo pai e adaptou-as às suas incisivas letras que se debruçam principalmente sobre a corrupção, ignorância, doença, tristeza e poluição em África. Seun Kuti é filho de Fela Kuti e, independentemente daquilo que para uns possa ser uma injustiça, é mais conhecido por isso mesmo.

Seun só entraria em palco à segunda canção. O espectáculo começa com um instrumental do pai, «Army Arrangement». Segue-se a entrada das vozes de coro femininas e, por fim, o grande protagonista da noite. Apresenta-se todo de branco, mas não seria necessária a roupa para brilhar em palco. O público é de todas as idades. São várias gerações com a mesma devoção para com os ritmos africanos.

O artista não é nenhum virtuoso do saxofone e admite-o. Só lhe fica bem. Em palco puxa pelo público, tenta dançar de forma sensual, mas sai-se elegantemente desajeitado, passeia cambaleante, esperneia-se e dá as costas ao público. Faz a festa sozinho. É um puro entertainer.

Sensivelmente a meio da actuação encosta os lábios ao microfone para assinalar que vem de Lagos, Nigéria. “Sabem o quão longe isso fica?”. Há um estranho silêncio. Falou da crise económica, de Saddam Hussein, da Nigéria, de ricos e pobres. Falou dos grandes males deste mundo.

A música é vibrante, as canções são cheias de ritmo e improviso. A vénia que se diz fazer ao hip hop de artistas como Eminem, Chuck D ou Dr Dre não se faz sentir em palco. O artista faz render a velha máxima dos 10 por cento de inspiração e 90 por cento de transpiração.

No fim, os músicos desatam a correr em todas as direcções. Fogem uns dos outros. Promovem o caos, preparam a festa de consagração. A plateia rendida põe-se de pé, não só para aplaudir, mas também para dançar e bater o pé. Seun tira a camisola e acaba entre as mulheres (do coro).

No fim, volta para um encore que é mais do mesmo. E isso não é necessariamente mau.



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