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Subeena

Subeena é o nome que Sabina Plamenova usa quando faz música. Esta produtora italiana de 24 anos, filha de pais búlgaros, já viveu em Milão, Turim, Berlim, e assentou arraiais em Londres há cerca de 3 anos.

Acaba de lançar o 12’’ “Solidify” pela seminal editora inglesa Planet Mu, o que significa um ponto de viragem na sua jovem mas frutífera carreira, colocando-a bem alto na pirâmide dos novos grandes produtores de música electrónica, ao lado de nomes como Falty DL, Floating Points, Luke Vibert, Jamie Vex’d ou Milanese. Este seu recente lançamento conta ainda com a colaboração de dois pesos pesados: Jamie Woon, a grande promessa do rnb/folk em formato subversivo, que ganhou hype há um par de anos ao ver uma faixa sua remisturada por Burial, e Om’Mas Keith – o alquimista hip hop dos Sa-Ra Creative Partners.

Apesar de ter começado por ser arrumada na secção do dubstep, Subeena soube distanciar-se de categorizações por mérito próprio e hoje é arquitecta de um novo som em Londres cujo nome e a forma ainda estão por definir. Depois de fechar a Imminent Records, que fundou com a produtora Dot, e de ter passado pela basilar Red Bull Music Academy, prepara-se para abrir as portas de uma nova plataforma editorial, a Opit Records, um instrumento que vai ajudar a compreender o som que esta surpreendente produtora preconiza.

A RBD entrou no mundo de Subeena e fez-lhe algumas perguntas:

Conta-nos como é que a música entrou na tua vida.

Acho que não consigo lembrar-me exactamente como é que entrou na minha vida… Fui criada por dois violinistas profissionais (e num apartamento muito pequeno, no início) o que significou estar constantemente a ouvi-los ensaiar desde que me lembro de existir.

Mais tarde comecei a comprar as primeiras cassetes quando tinha 6 anos ou assim, por isso tudo começou bastante cedo.

Quando e como é que começaste a fazer música e como é que soava?

Quando comecei a fazer música electrónica, tinha mais ou menos 18 anos. Um bom amigo meu andava a fazer faixas no computador dele já há alguns anos e então ensinou-me o básico do Reason. Acho que as ideias das minhas primeiras faixas eram ok, às vezes penso que na verdade até eram mais espontâneas e interessantes na altura, mas em termos de produção eram mesmo más…

Sentes que a tua música tem um som diferente desde que te mudaste para Londres?

Acho que sim, o som mudou. Não apenas devido ao facto que por estares em Londres estás automaticamente exposto a mais música a toda a hora, o que obviamente tem implícito mais fontes de inspiração, mas também porque cada cidade carrega consigo uma vibração diferente.

Quem consideras ser as tuas principais influências até hoje, como produtora?

Cheguei à conclusão que menciono sempre os mesmos três artistas e automaticamente não faço justiça alguma a todos os outros que me influenciaram.

Lembro-me de comprar cassetes da Bjork, dos Jamiroquai, Tori Amos, etc quando tinha 7 anos ou assim (a primeira cassette que comprei foi só por causa daquela música dos SWV), mas por outro lado adorava montes de coisas de hip hop, algumas bandas, muitos hits cheesy dos anos 90… E mais tarde comecei a gostar de toda a cena dos Prodigy, etc. e depois do tipo de música electrónica que a Warp editava… Tantas coisas.

Fala-nos um pouco da Imminent Records – quando e como começou e o que aprendeste com a experiência.

A Immigrant/Imminent começou muito de repente, depois de ter conhecido a Natasha aka Dot. Não havia muitas raparigas a produzir no contexto em que a conheci na altura, e também nenhuma editora tinha entrado em contacto connosco… Ambas gostávamos das faixas uma da outra, e por isso depois de investigarmos um pouco e de reunirmos as informações de que precisávamos, decidimos que podíamos fundar a nossa própria editora.

Foi uma boa maneira de aprender como lançar a nossa própria música e também de entender todos os aspectos da música que não a produção, porque infelizmente (ou felizmente?) há muito mais coisas com que se deve saber lidar, para além do lado criativo.

Três das faixas incluídas nas tuas mais recentes edições foram feitas na Red Bull Music Academy. Conta-nos como é que essa música aconteceu e o que é que a experiência significou para ti como musicmaker?

Foi definitivamente uma das experiências mais incríveis e inesperadas da minha vida. Aquelas faixas aconteceram muito depressa, suponho que em parte porque é o que somos encorajados a fazer quando lá estamos – colaborar, mas acho que se não fosse principalmente pelo respeito que todos tínhamos uns pelos outros, nenhuma destas faixas teria acontecido. Acho que tivemos muita sorte em ter tido a oportunidade de estar com todas aquelas pessoas talentosas, todos juntos num lugar. É muito raro e bonito. Acho que a remistura que fiz para o Pepepe ainda é uma das minhas faixas com que estou mais feliz, e se não fosse por ele eu nunca a teria feito.

Como se deu a ligação à Planet Mu? Como é que foi editar música tua numa etiqueta que admiras e respeitas?

Eu conhecia o Mike [Paradinas, fundador da Planet Mu] há uns 2 ou 3 anos, e já gostava da editora há alguns anos. Conheci-o por acaso, numa noite em que estava a trabalhar no Corsica Studios [clube em Londres] e comecei a mandar-lhe faixas – durante séculos. Foi engraçado porque ele acabou por escolher para o lado A uma das poucas músicas que eu não lhe tinha mandado. Fiquei obviamente muito feliz porque andava com esperanças de lançar pela Mu já há uns tempos.

O que é que as pessoas podem esperar dos teus gigs? Que material usas? Fazes live act, DJ set ou ambos?

Acho que em termos de música os meus gigs não são propriamente semelhantes ao que produzo. Eu gosto do básico beat 4/4 desde que tudo soe interessante junto, mas geralmente vou bastante para o lado techno, acho eu, e então tendo a tocar coisas de outras pessoas. É um DJ set muito caótico (no sentido em que eu misturo bastante rápido às vezes) feito no meu laptop. Tenho um controlador midi e um ou dois efeitos em cada faixa.

Eu definitivamente adorava fazer um live set algures no tempo, mas isso vai depender do tempo e da música que eu tiver.

Estás agora a trabalhar no primeiro lançamento da tua nova editora, a Opit. Conta-nos como é que surgiu essa ideia e o que é que podemos esperar da editora – música tua ou também de outros artistas? Alguma orientação em particular em termos de género?

Eu simplesmente pensei que como não tenho nenhum contrato como artista numa editora e apenas tenho umas coisas a sair aqui e ali, adoraria ter a minha própria plataforma sobre a qual tenho controlo absoluto. É também como eu comecei, por isso eu acredito mesmo em termos a nossa própria etiqueta.

Para além disso, apesar de o meu gosto ser geralmente bastante complicado, quero ter a possibilidade de lançar outros artistas que ache que devem ser ouvidos.

Quero editar a minha música, mas em vez de fazer uma editora que esteja focada na minha música, quero que esteja focada num som específico, que ainda não tomou forma, mas vamos ver como é que será depois das primeiras edições.

Para onde achas que a cena de Londres se está a dirigir? Quais são, actualmente, os teus novos artistas favoritos?

Acho que ultimamente têm vindo a acontecer coisas novas interessantes. Desde que deixei de ir às noites que andava a ir, a música de alguma forma mudou e eu senti-me um pouco desinspirada durante um tempo. Depois nos últimos meses tudo começou a mudar de uma maneira positiva.

No Reino Unido, gosto do que o pessoal da Numbers está a fazer com a(s) editora(s) deles… Acabaram de lançar Ghosts on Tape, que anda a fazer música brutal. Descobri o Sugabled também há uns meses, com quem fiquei bastante impressionada.

Em Londres, o Blue Daisy também está a fazer faixas muito boas.



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