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TRÊS TRISTES TIGRES @ LUX (19.05.2017)

Após terem desfilado por esse país fora o seu Osso Vaidoso, durante os anos mais recentes, Ana Deus e Alexandre Soares trazem de volta aos palcos, a pouco e pouco que não há pressa nenhuma, os aclamados Três Tristes Tigres, desta feita por mão das sempre cirúrgicas noites Black Balloon, que preservam o Lux como sua reserva natural.

E não fora a honestidade desarmante de Ana Deus, que desde o início confessou ainda não ter as letras na ponta da língua, ninguém diria que a banda apenas recentemente retornou aos palcos. Para combater a confessada insegurança, a vocalista manteve sempre à mão um dossier com a(s) palavra(s) da senhora (avé Regina Guimarães!).  As canções soaram bastante sólidas e potentes, com a maquinaria, a cargo de Quico Serrano, e o baixo a emprestarem uma base de pedra e cal para os demais instrumentos avançarem. A voz de Ana Deus parece melhor que nunca, beneficiando ainda da personalidade com que os anos de carreira a tingiram. Por seu turno, as guitarras de Alexandre Soares permanecem acutilantes e inventivas como é seu timbre, tendo «Olho da Rua» sido uma das provas disso, começando no seu tom bluesy e desaguando num final que remeteu para um universo Sonic Youth.

O concerto incidiu sobre “Guia Espiritual”, esse álbum cujo nome do meio parece ser “seminal”, tal não é a marca que deixou na música moderna portuguesa. Desse trabalho editado em 1996 apenas o tema «Luna Motel» não foi interpretado, tendo despontado canções como «Ruído Rosa», «Anormal» (que foi inclusivamente repetida na parte do encore, dado que os Três Tristes Tigres não tinha mais truques ensaiados na manga de momento) ou «Missão Impossível».  Por sua vez, «Colchão D’Água» e «Noites Brancas» sucederam-se quase na perfeição, formando um período de acalmia bonita na performance, a primeira quase em jeito de canção de embalar para sonhos mais surreais, e a segunda enriquecida pela harmónica e o slide empenhados pelo mestre Alexandre Soares.

Pena não ter havido mais tempo de antena para “Comum”, do qual foram extraídos apenas a faixa de abertura, «Espécie», e «Falsa Parte», com um belíssimo trabalho de sintetizador ao volante. Curiosamente, foi na canção mais popular da banda que a mesma se mostrou mais enferrujada, numa versão de «O Mundo a Meus Pés» tocada apenas com os dois membros principais em palco.

Os Três Tristes Tigres voltaram a demonstrar a sua faceta sonoramente anormal. Que muitas vidas lhes restem!

No andar de cima prosseguiu a programação desta noite Black Balloon com Pedro Ramos e João Vieira (DJ Kitten) aos comandos dos pratos até o soul raiar, numa joint-venture que lamentavelmente demorou demasiados anos a consumar-se.
Alinhamento

– Xmas
– Ruído Rosa
– Anormal
– Zap Canal
– Missão Impossivel
– Kindergarten
– Colchão D’Água
– Noites Brancas
– Espécie
– Kainever
– Olho Da Rua
– Falsa Parte
– Guia Espiritual
– O Mundo a Meus Pés

(Encore)
– Anormal



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