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O cinema português existe

Exibido numa sessão especial do DocLisboa, “Um filme português” teve direito a lotação esgotada.

Mais ou menos filme, mais ou menos cinematográfico, este documentário surge integrado no projecto de investigação “Principais Tendências no Cinema Português Contemporâneo”. Em seis segmentos realizados pelos investigadores recém-licenciados na Escola Superior de Teatro e Cinema, Levi Martins, Vitor Alves, Miguel Cipriano, Jorge Jácome, Vanessa Sousa Dias e Carlos Pereira, temos uma série de considerações de críticos, produtores, programadores e cineastas portugueses. As preocupações são diversas, mas as questões essenciais que o projecto coloca relacionam-se com: a diferença entre formato de cinema e televisão; a proliferação exponencial das imagens, e aquela que é talvez a mais polémica, a noção de identidade portuguesa nos filmes que cá se produzem.

“Um filme português” é um convite à reflexão. Há ideias que, independentemente do ponto de vista, são transversais. No entanto, no que diz respeito a poder falar-se de cinema português, as opiniões não são unânimes, sendo muitas vezes contraditórias.

Colocando-me do lado de Marco Martins, parece-me que o cinema português não só existe, como é tendencialmente um cinema de autor. É por esta razão que não podemos falar em cânones ou numa maneira dominante de fazer cinema, no que diz respeito à estética, visual ou narrativa. O que existe no cinema português é uma multiplicidade de pontos de vista, que não podem ser confundidos com uma falta de cultura ou identidade colectiva.

Apesar de, muitas vezes, ver filmes portugueses poder ser uma experiência que desaponte (talvez porque, como dizia Manuel Mozos no filme, não gostamos de nos ver retratados, ou porque são, muitas vezes, herméticos, não conseguindo chegar a uma grande parte da população, ou simplesmente porque nem todos os filmes são bem conseguidos), o cinema português é um cinema rico.

“Um filme português” e o projecto de investigação em que está inserido, servem, precisamente, para pensar sobre esta riqueza, reivindicando este cinema como nosso, como parte da nossa cultura, que não podemos menosprezar ou desprezar.

O cinema português é o olhar de alguns indivíduos portugueses. Não pode ser o olhar de todos e nem sempre é sobre nós próprios. Ainda assim, os filmes que os realizadores portugueses fazem constituem o cinema português, fazendo parte do conjunto de coisas que nos caracterizam. O cinema português somos nós.



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