ataleofloveanddarkness

Uma história de amor e trevas

Amor em tempo de trevas

Saltando de episódios ternurentos para episódios aterradores, como sobrevivem os sentimentos mais puros durante tempos instáveis e conflituosos? O romance e o sonho podem ser possíveis respostas, mas num sítio onde a tranquilidade é constantemente atacada só o amor pelo filho é capaz de prender Fania, aqui interpretada por Natalie Portman que se estreia na realização e na escrita do argumento adaptado da autobiografia do israelita Amos Oz.

É com a ideia que Amos guarda da mãe que se inicia a narração. Sob um fundo preto aparecem apenas as legendas deste filme falado em hebraico e com uma imagem que vai ganhando cor e forma sutilmente. Assim é grande parte do filme, com a exceção das partes violentas que dão ao espectador um ligeiro prenúncio do mal que se vai seguir mas nunca de forma gratuita, isto é, existe um cuidado na representação das cenas mais violentas. O recurso, muitas vezes, à ideia de sonho e memórias desfeitas adivinham as fraquezas de alguém que sente que a infância lhe passou ao lado e que a quer ver recuperada no filho. A câmara acompanha em alguns momentos a imagem de Fania na perspetiva de Amos, pois apesar de também ter um pai, é a história da mãe e a sua relação com ela que aqui se destaca: os ângulos, sequências, desfoque e foque revelam a importância da imagem materna na vida de um rapazinho que cresceu numa época de confrontos e decisões civis. O uso da analepse torna o enredo apelativo sem cair no aborrecimento, o que podia facilmente acontecer para quem o hebraico é uma língua pouco (ou nada) familiar.

Portanto, uma inteligente adaptação nesta estreia em realização de Natalie Portman, também ela nascida em Israel, sobre um amor entre mãe/mulher e filho, e sem pontas soltas. Um filme com tudo para ser uma referência na história da realização no feminino.



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