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Unconditional

Menswear que parece igual ao resto, mas no fundo é completamente diferente.

Phillip Stephens, 37 anos, designer inglês por detrás da UNCONDITIONAL, apresentou em Nova Iorque, uma vez mais, a sua colecção na Mercedes-Benz Fashion Week, fora do horário oficial, a 15 de Fevereiro. O Outono/Inverno 2009 da marca trouxe um homem moderno, discreto, numa clara continuação da aproximação entre as sensibilidades norte-americanas e britânicas, juntando desta vez um forte tom arquitectural nas muito clean longas silhuetas que foram disparadas na passerelle. O nome da colecção contrasta com o que se pôde ver e que, numa primeira impressão, foi de grande simplicidade. Mas no fundo, esteve ali um novo homem, em propostas que pervertem o menswear e que, numa incursão nossa, mais atenta, justificam em tudo o nome da mesma: “Love me… or… Fuck Off!”

Foram usadas malhas feitas à mão muito perfuradas, riscas descontinuadas e – isto sim! – drapeados que revelaram parte das costas, numa assumida vontade de quebrar regras. Mas também houve seda pura em cortes rigorosamente ingleses, na mais pura tradição de Saville Row e a pallete de cores não saiu muito dos neutros urbanos. É neste equílibirio perfeito entre subversão e vestibilidade que está a nota máxima para a UNCONDITIONAL e que por isso mesmo tem merecido estar com nomes como Adrian Brody, Brad Pitt, Jude Law, Bono e os Depeche Mode e Royksöpp nos vídeos e na vida real.

“Desde que seja comercialmente viável e ainda atraente quando vestido, eu vou empurrar a minha moda para a frente. Detesto tudo o que seja muito freak e estranho, só por ser freak e estranho. Adoro misturar formal com informal, desportivo, desconstruído com estrutura. As pessoas dizem que a minha roupa é um tanto andrógina, mas eu também nunca acreditei que X e Y é para os homens e A e B é para as mulheres. É tudo uma mistura.” Na Rua de Baixo concordamos plenamente. A moda de homem é a mais interessante para ser trabalhada porque ainda existem muitas regras para se quebrarem, muitos aspectos para refazer, reinventar e dar um twist. Por outro lado, Phillip Stephens acrescenta que, em moda, nada fica pior do que alguém a tentar muito para “estar lá”.

Para ele, a moda não tem uma missão que nos pareça muito ambiciosa, mas que no fundo até é: “a moda tem sim uma missão, tem que nos fazer sentir a todos um pouco mais felizes, um pouco mais protegidos, sexys e é algo que tem o poder de nos elevar o estado de espírito e enfrentar o dia (ou a noite!) com mais alento.”

Phillip, ele próprio, para uma festa veste uma camisa de cerimónia branca, um casaco de smoking e uns jeans pretos com zip à frente ou mesmo de lado. Mas no dia-a-dia, além de adorar a caxemira e ter a sorte de poder usá-la bastante, usa tons de cinza, neutros e uma camisa branca que nunca precisa de ser engomada. “Adoro wash’n’go, a vida é muito curta para passar o tempo a engomar”. Prefere também o inevitável preto e branco e o nosso midnight blue de eleição em todas as ocasiões.

Para o futuro da UNCONDITINAL vê-se no horizonte a expansão e o desenvolvimento da marca, possivelmente para uma incursão mais forte na roupa de mulher, homewear, roupa de criança e ainda vender tudo num espaço único e independente. Quer mover a UNCONDITIONAL para a frente como uma marca orgânica e holística que responda a todas as necessidades da vida contemporânea. Na vida, em primeiro lugar e antes de tudo, procura felicidade, para ele e para os mais próximos, e acha ainda que é importante consciência social.

Naturalmente, a Rua de Baixo apela a uma forte atenção a esta marca, a fim de podermos comprar UNCONDITIONAL sem termos de voar para outros países, sendo que voar não é ecológico. Em Portugal, a marca está disponível de forma intermitente na Por Vocação, no Porto. E em relação à colaboração com a ALDO sapatarias, não há ainda confirmação de que possamos ter nas lojas nacionais as suas fabulosas criações.



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