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House of Dagmar

Um estilo que vai beber aos anos 20, ao Deco, a influências do passado, tudo traduzido em materiais de grande qualidade o que pode vir a colocar esta marca no patamar da mais desejadas designer labels. Se é que já não o é, claro.

Trabalhar em família é o mais importante e o segredo da House of Dagmar, etiqueta sueca fundada em 2005 pelas três irmãs mais divertidas e chiques da moda sueca. Disse-lhes na nossa entrevista que trabalhar em família nem sempre é fácil e a resposta de Karin Söderlind: ‘nem sempre é fácil, mas para nós tem sido o melhor. É a nossa grande força sermos irmãs, podemos confiar umas nas outras.

A nossa comunicação é muito directa, sem filtros. Perguntamos sempre umas às outras a verdade acerca do nosso look, então temos sempre respostas como ‘isso em ti não!’ ou ‘batôn errado!!’ – e ri-se. De facto Söderlind, depois da experiência em marketing e economia e também buyer da H&M, com as irmãs, Kristina Tjäder como designer (com curso na École Superieur de Mode de Paris e experiência com Christian Lacroix) e Sofia Malm, economista têxtil e directora de vendas com vasta experiência no sector de retalho, juntaram-se e criaram a marca House of Dagmar com grande sucesso, desejada e sonhada enquanto cresciam juntas.

Para reforçar a ideia de amor à família, Dagmar era o nome de uma das avós que já era costureira e foi uma grande inspiração para entrar no mundo da moda. A atmosfera no estúdio no centro de Estocolmo é ‘louca, uma diversão, tudo a rir e a gritar como se algo de bom acontecesse sempre e acontece…’ Isto tudo ao som de discos produzidos ou misturados por Andreas Kleerup (responsável por Robyn, por ex. Para não falar do disco de Cindy Lauper em 2008) e o novo da Kesha.

Voltando ao principal, a coleccção de Verão 2010 de senhora (ainda não definiram quando entrarão na roupa de homem, mas querem fazê-lo em breve) mostra roupas obviamente comerciais, mas com todo um potencial de desconstrução. Está nos detalhes a prova de que há um lado poético e sexy na colecção: zips não disfarçados a pedirem para ser abertos, bustiers, leggings, straps de lingerie. Vestidos leves em seda, decotes e rachas também nos indicam nessa direcção.

Mas, em geral, é uma série de peças para mulheres que se querem colar a uma imagem de contemporaneidade sem se comprometerem muito. ‘Mas é a forma de vestir as roupas que é tudo, neste momento estamos a afastar-nos um pouco do mais óbvio…’ disse Söderlind. É claro que a House of Dagmar está ligada à ideia de expansão comercial e por isso ainda não poderão fazer corresponder as suas ideias, traduzi-las em pleno para a passerelle, correndo o risco de, ao não fazerem parte do circuito Paris, Milão, Nova Iorque, comprometerem a própria empresa. O mais importante é que já têm pontos de venda dos dois lados do Atlântico e na Ásia, e que a partir de uma empresa sólida podem concorrer com designer labels porque têm roupas bem construídas e de grande qualidade.

Aparecem na Vogue UK, ganharam um prémio em Nova Iorque pela Gen Art-NY que lhes valeu uma mostra em na Big Apple. ‘Neste momento estamos a negociar um corner com o Selfridges e a questão passa exactamente por descer ou subir o toque arrojado das colecções.’ Ter uma colecção à venda no Selfridges (a departement store mais famosa de Oxford Street, Londres) é uma vitória para qualquer marca que se quer impor globalmente. Por cá existe uma hipótese de termos House of Dagmar na Loja das Meias mas não é ainda garantido.

Garantido é que, quando se tem vontade e skills, consegue-se alcançar visibilidade mesmo disparando fora das capitais de moda. O mais imporante na vida para Söderlind (além do ski, do yoga e dos amigos) é ‘a família: pai, mãe, avós, primos, tudo uma grande família…’ Aconselharam-me a ver Millenium 1 – Men Who Hate Women (filme sueco que está nas salas portuguesas neste momento), afinal a protagonista Noomi Rapace apareceu na estreia toda vestida por House of Dagmar, e ainda descobri que um perfume favorito é o Comme de Garçons 2 e que adorariam ter tudo de Picasso. Ficámos impressionados.



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