Uxu Kalhus

Atenção à revolta dos chocalhos!

Ainda há poucas semanas andávamos todos atarefados a elaborar as listas dos melhores (e alguns também dos piores) álbuns do ano. Pelo meio de tanta azáfama, passou despercebido a muito boa gente o tão ansiado disco de estreia dos Uxu Kalhus, a maior banda de trad-rock-folk(!) portuguesa – “A Revolta Dos Chocalhos”.

O melhor é fazermos de conta que isso não aconteceu e começarmos a pensar já em 2007. Porque este disco merece estar em todas as listas que se façam!

Em Julho do ano passado, aquando da entrevista à banda, a Rua de Baixo definia os Uxu Kalhus como um caldeirão de influências musicais, que funde décadas de música tradicional anglo-saxónica com os ritmos africanos e orientais, numa linguagem contemporânea bastante própria. Os próprios chamam-lhe folk subversivo e música tradicional radical.

De facto, os Uxu Kalhus divertem-se a desconstruir o passado musical tradicional em novas formas musicais, cruzando o ska com o corridinho ou o dub com o vira. Por isso, não se admirem quando ouvirem em “A Revolta Dos Chocalhos” versões menos ortodoxas de clássicos da música tradicional, como o madeirense «Malhão» ou o alentejano «Regadinho».

Os Uxu Kalhus surgem na mesma linhagem telúrica dos Gaiteiros de Lisboa, mas dão um passo em frente no campo da contemporaneidade. São uma espécie de Blasted Mechanism, se estes tivessem nascido em Portugal em vez de numa galáxia muito, muito distante.

Um dos trunfos deste disco de estreia é a forma como consegue captar a energia que a banda debita ao vivo, em actuações que recuperam e divulgam as danças tradicionais nacionais e europeias, transformando os concertos em bailes sofisticados, acessíveis até àqueles que nasceram com dois pés esquerdos. Músicas como «Nova Babilónia», que cruza uma percussão tribal diabólica com vocalizações hip-hop, ou «Passodoble Do Azulejo», que liga o passodoble à eletricidade, são verdadeiros inimigos da letargia.

“A Revolta dos Chocalhos” são treze temas que se “revoltam” contra as convenções tradicionais da música popular, filtrando-a por um caleidoscópio inter-continental.

Tendo como cartão de visita este disco de estreia, os Uxu Kalhus têm já a agenda cheia durante o mês de Janeiro, que atravessa o país de lés-a-lés, prolongando-se depois pelos meses seguintes.



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