Ali Farka Touré

Um dos mais emblemáticos músicos do Mali e da world music estará presente ao vivo, em Monsanto, dia 22 de Julho.

É sabido que o blues foi criado pelos ecos da segregação racial dos escravos dos campos de algodão do Mississipi, levados de África para os Estados Unidos; também o reggae teve a sua génese nos exilados etíopes chegados à Jamaica; e até a paternidade do funk foi reivindicada pelo nigeriano Fela Kuti. Por isso, concluímos facilmente que a música anglo-saxónica de origem negra teve os seus genes no continente africano.

É em tempos imemoriais, mais antigos que o tempo e mais velhos que a própria história, que se situa esta estória: a de Ali Farka Touré e da sua música, uma música despojada de artifícios e caprichos.

Ali Farka Touré nasceu no Mali e é agricultor. A música é apenas um reflexo da sua vida, algo tão natural como os espíritos do deserto do Sahara, ali tão perto, algo tão natural quanto respirar. E a música de Ali Farka Taoré também é tão natural quanto respirar.

Esta música sem data, que traz o tempo ao colo, é uma força poderosa, que celebra a vida, o amor, a Terra e o Homem. Este blues do deserto é uma música despojada de qualquer subterfúgio, como se tivesse sido destilada em laboratório e desmembrada até à sua forma mais simples e pura.
A sua obra só recentemente foi descoberta pelo ocidente, mas como diz o ditame, antes tarde do que nunca; e Ali Farka Touré tem tentado recuperar o tempo perdido. E o calendário já tem data marcada para o seu regresso a Portugal.

No próximo dia 22, Ali Farka Touré actua no África Festival – festival inserido nas festividades das Festas de Lisboa 2005 – , no mesmo dia que o moçambicano Mabulu, no anfiteatro Keil do Amaral. Pelo mesmo certame passam ainda os nomes de Zap Mama e Manecas Costa (dia 21), Ray Lema & Chico César e Waldemar Bastos (dia 23) e Tito Paris e Lura (dia 24).

Uma oportunidade única para (re)visitar a música única e singular deste cada vez maior símbolo da música africana, que promete ser um espectáculo único e introspectivo, em que a sua música certamente se fundirá com a paisagem magnífica do anfiteatro Keil do Amaral.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This