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Zombie aka MA

"Uma pessoa não pode parar. O caminho é para frente"

Mário Ventura, mais conhecido por “Zombie”, vem das ruas do graffiti até às colagens cheias de cor, personagens e manifestos, trazendo um trabalho dedicado e concentrado até ao mais pequeno pormenor. A sua arte é repleta de diferentes cores, criando uma mistura abstrata e é assim mesmo que Zombie consegue expressar o que sente através das suas colagens.

Olá Mário! Primeiro que tudo, no meio de tantos nomes, devo tratar-te por Mário, Zombie ou Mag the Slow Kid?

É como achares melhor! Nunca fui de criar uma identidade fixa, Zombie é actualmente a minha assinatura como artista plástico, mas MAG foi sempre a minha alcunha, o the Slow Kid foi só mesmo por brincadeira.

Antes de mais, és Mexicano, correcto? Fala-nos um pouco mais sobre as tuas raízes. Voltaste cedo para Portugal, ou ainda conheceste bem a cultura mexicana na tua juventude?

Sim, nasci lá. Infelizmente nunca mais lá voltei e só tenho vagas imagens dos tempos de criança; apesar de ter vindo para cá com sete anos, são raras as lembranças… com muita pena minha!

Achas que, como falávamos, a cultura mexicana influenciou o teu tipo de trabalho hoje em dia? Baseias-te em alguns artistas mexicanos, como inspiração no teu trabalho?

Directamente não influenciou em nada. Sou um enorme admirador da cultura e do povo mas não posso dizer que tenha tido alguma influência de lá…

 

Acerca da tua formação. Tiraste Design Gráfico certo? Já desde essa altura te interessavas por graffiti e outro tipo de artes urbanas?

Sim, acabei este ano a minha formação. Interesso-me por arte urbana desde que me lembro, mais precisamente desde que conheço Jean-Micheal Basquiat e o seu estilo manifestante quando riscava SAMO nas ruas de N.Y.C, mas sempre que posso risco! Mas graffiti não me levou a design gráfico nem design gráfico me levou ao graffiti…

Como foi a passagem do graffiti, para as colagens, que acaba por ser considerado “street art”, o que por vezes acaba por ser uma contradição para quem pinta?

Eu não me posso considerar writer…  Apenas risco, nem sequer um Tag de raiz tenho. As colagens são de certo modo outra forma de me expressar, possivelmente mais formal, mais racional, não tão vista como um acto ilegal, apesar de que muitas vezes é vista como tal devido ao modo como eu desenvolvo peças; ando sempre a tirar cartazes das ruas, tirar caixas de papelão aos mendigos, nos caixotes de lixo e a pedinchar por revistas… não é nada fácil!

Continuas nos dias de hoje a pintar nas ruas, ou preferes manter-te pelos teus trabalhos relacionados com as colagens, de uma forma mais calma?

Sempre que tenho oportunidade deixo um tag, ou sempre que vou a um chinês lembro-me das latas e dá para safar uma sujeira com os comparsas. A parte das colagens é o meu interesse a tempo inteiro nada que se compare à diversão de uma missão.

Que materiais usar normalmente nos teus trabalhos? Fazes as colagens manualmente ou em formato digital? O que preferes?

Manualmente é sem dúvida a melhor sensação! Ter o contacto com o material, é de todas a melhor coisa que se pode fazer. Até mesmo para quem trabalha em digital, quando vê o trabalho impresso, parece que ele ganha outra dimensão… o físico é sempre o melhor.

O lado negativo são as limitações que o digital não tem, como imagens, cores e suportes mas tirando isso e a facilidade de desenvolver algo que está idealizado, o manual é a minha escolha. Mas confesso que neste momento trabalho muito a colagem digital!

 

Gostas de passar mensagens através dos teus trabalhos ou são apenas materiais estéticos para ti?

Aquilo muito sinceramente não tem nenhuma mensagem em concreto… Até porque só comecei há pouco tempo a partilhar os trabalhos pela Internet. Mas também, digo-te já que em muitos deles só depois de concluídos é que vejo alguma mensagem!

Quais são os teus planos de futuro? Visto que ainda estás em “crescimento”, tens intenções de divulgar cada vez mais o teu trabalho, como por exemplo começares a fazer exposições, etc?

Quero ver a minha arte a ser valorizada. Como disse anteriormente só recentemente é que resolvi partilhar estes trabalhos, e não vou parar, tudo o que vier é bem-vindo. Gosto do que faço, apesar do bom feedback ainda não recebi nenhum apoio, nem proposta por parte de ninguém, mas uma pessoa não pode parar. O caminho é para frente.



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