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ZONK

Major, Javenger Dourado e Photonz canalizam as forças de uma entidade movida a vinil e amor, com espaço para castigo e redenção.

A resposta à pergunta “O que é ZONK?” pode ser tão vaga como precisa, depende da susceptibilidade de cada um e até que ponto estão dispostos a acreditar.

Numa perspectiva linear (e ateia) é apenas mais uma noite com DJs, um sistema de som e espaço físico determinado – acaba a noite e pronto; numa perspectiva mística (e crente) é “música com discos verdadeiros”, potenciados pela qualidade de som e sem regras materiais definidas – a viagem nunca acaba.

ZONK é quando Major, Javenger Dourado e Photonz se juntam ou simplesmente “É” quando estes canalizam a entidade –  “Nunca sabemos bem quando e em que grau se vai manifestar mas é muito claro quando isso acontece e geralmente depende do encaixe psicológico certo entre todos nós.” Esse fluxo energético é essencial e equilibrá-lo depende dos quatro elementos; quando em sintonia é bliss ou num imaginário carnal, quando a “Audrey Horne come a cereja no motel do one-eyed-jack”.

Nas palavras dos escravos de ZONK, este acontece “na confluência das nossas respectivas intuições e energias ao interpretarmos individualmente a pista de dança. Isso depois traduz-se na prática em qualquer dos locais onde tocamos” ou “no coração”.

A força de ZONK reside no “tambor”, no “trovão”, no amor à causa enclausurada do vinil e na soma na improvisada de “influências diversas, que formam um resultado final”.

Os escravos têm assim “dedicação a uma ideia subjectiva de verdade e raízes na música (…) e fidelidade a certos sons” que reconhecem em diferentes géneros e épocas. Correm riscos na pista de dança e não recorrem a um “plano científico e profissional para conduzir a noite”, a banalidade é evitada assim como “meras ferramentas para ocupar o tempo” e contornar dificuldades.

Acima de tudo ZONK tem prazer em ver pessoas dançar e para isso os seus escravos têm “a responsabilidade de oferecer a energia” num “determinado local e hora”. A entidade pode redimir ou castigar, mas o “castigo antecede frequentemente a redenção”. Porém, sua presença não é garantida: face a um ambiente negativo, se os argumentos não resultarem, não surgirá.

As noites ZONK tiveram o seu ponto de origem em Lisboa, mas pretendem doutrinar onde for possível reunir as condições básicas do seu sacerdócio, sendo que os melhores resultados são obtidos pela potência amplificada do gira-discos e por uma proximidade ao público.

É a prova que um deus inventado pode existir, um deus primordial vindo de uma época simplificada pela batida e pelo baixo que foi reunindo elementos sonoros fulcrais no meio do ruído da evolução. “Se for para dançar é para dançar”. Não é preciso outra atitude.

Evangelho

House Syndicate – Jam The Mace
Phuture – Acid Tracks
Kryptonite – Baby I Don’t Know
Zinthetyzër – Green Onions
The Gun Club – Fire of Love
Urban Dreams – Tonight/An Urban Dream Of Love
Egyptian lover – Freak-a-Holic
Confusion (Rephlex)



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