“A Cúpula” | Stephen King

“A Cúpula” | Stephen King

A loucura esconde-se por baixo da barreira invisível

No que diz respeito à adaptação de livros ao cinema ou à televisão, se não for o recordista absoluto, Stephen King estará, certamente, entre os escritores cuja obra literária mais se reflectiu no pequeno ou no grande ecrã.

A Cúpula” (Bertrand Editora, 2013) é mais um desses exemplos de conversão das palavras em imagens, tendo dado origem a “Under The Dome”, uma série norte-americana de ficção-científica, mistério e terror desenvolvida por Brian K. Vaughan.

No livro, King centra-se na forma como as pessoas mudam o seu comportamento a partir do momento em que a sociedade a que pertencem é, subitamente, virada do avesso. Estamos em Chester`s Mill, uma pequena cidade americana que, num insuspeito dia de Outono, se vê isolada do resto do mundo devido a uma força invisível.

Antes da criação de uma zona de segurança, ajudada pelos cadáveres de pequenos pássaros que cercam esta cúpula, aviões despenham-se, carros explodem, pessoas ficam feridas ou encontram a morte.

No interior da cúpula, no lugar da criação de uma força comum, assiste-se à fragmentação do poder em dois grupos: de um lado está Jim Rennie, ou Big Jim que, segundo alguém, «administrava a cidade como se fosse o seu caminho-de-ferro particular»; do outro está Barbie, ou Dale Barbara, ou ainda Capitão Barbara, um cozinheiro e militar na reserva que, durante a Guerra do Iraque, tinha a missão de encontrar fábricas de bombas da Al-Qaeda e mandá-las pelos ares.

Nesta primeira parte (de duas), para além da guerra pelo poder e pela gestão dos recursos materiais – o gás tornou-se o bem mais caro, logo a seguir à comida -, assistimos às tentativas do exército americano em destruir a barreira invisível, seja pelo recurso a mísseis ou pela utilização de um ácido super-corrosivo. Barbara – ou Barbie -, com a ajuda de Julia Shumway – a jornalista do jornal local Democrat -, tentará descobrir se a força invisível está a ser mantida por um gerador com um poder quase sobre-humano e, com isso, encontrar quem quer manter a cidade isolada do mundo e a um pequeno passo da loucura, chegue esta pelo colapso da mente ou pela poluição que se vai instalando e fazendo de Chester`s Mill uma estufa incandescente.

Numa cidade entregue desgovernada, onde a polícia incorpora agentes que poderiam fazer parte da Juventude Hitleriana, há ainda um assassino em série à solta, tráfego de meta-anfetaminas e uma corrupção que, quando cercada por uma cúpula invisível, sai da invisibilidade em direcção à violência. Um livro trepidante que, através da metáfora do isolamento, propõe uma reflexão sobre as ideias de bem e mal, e de como o ser humano enfrenta a realidade e o seu semelhante em situações de crise.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This