Aimee Mann @ Aula Magna (08.11.2013)

Aimee Mann @ Aula Magna (08.11.2013)

O concerto em que uma boa porção da audiência pensou que vinha “ouvir” o filme de Paul Thomas Anderson

Algures a meio da noite de ontem, Aimee Mann aproveita uma pausa entre músicas para contar a história de uma canção que se queria optimista. A meio do processo, a embarcação virou e surgiu «Borrowing Time» – sem grandes surpresas, de uma artista que nunca conhecemos pelo optimismo. Desde “Whatever” que os estilhaços de coração despedaçado vêm escrevendo as linhas pelos seus cadernos, numa altura em que se iniciava a gestação de uma geração de músicos que descobria que a música afinal também fala ao ouvido.

Mas, no auge dos seus 53 anos, o seu timbre parece-nos ainda mais apurado do que há vinte anos atrás. O concerto de ontem, que se baseou num alinhamento que fez uma visita rápida ao percurso de Mann, assentou numa recriação dos temas da artista para um trio de guitarra acústica, piano e baixo, que pareceu transformar o auditório da Aula Magna num espaço bastante intimista.

Contudo, e mesmo que os discos mais recentes apontem numa direcção bem mais convencional do que ouvíamos em “Lost in Space” – aqui recuperado com o tema-título numa belíssima versão -, ou em “Bachelor No.2”, com as paragens obrigatórias pelos temas escritos para a banda sonora de “Magnolia” e que a apresentaram a uma audiência alargada, existiu uma uniformidade que percorreu o set e foi reinventando o novo e o antigo com o mesmo cuidado.

A julgar pela recepção, uma boa porção da audiência pensou que vinha “ouvir” o filme de Paul Thomas Anderson – há sempre esse perigo quando os temas de repente servem também para spots publicitários e associados -, mas foi com receptividade que recebeu em pleno o repertório de uma artista que excedeu em larga escala essas composições. Tanto mais que a voz frágil de Mann preencheu sem máculas, ora sozinha à guitarra ora acompanhada, uma noite que Ted Leo parecia empenhado em destruir.

A prestação de Ted Leo não foi mais do que entediante (volta Jon Brion, estás perdoado): o músico norte-americano fez-nos questionar como é que um tipo em palco com uma guitarra pode passar tanto tempo a não tocar música. Mais tarde acompanhado (e depois acompanhando) por Aimee Mann em temas do novo projecto dos dois, The Both, o músico fez questão de assinar os momentos mais intragáveis de uma noite que se avizinhava livre desta conversa fiada. Imperdoável terá sido mesmo a sua intromissão em «Save Me», numa tentativa de conspurcação de um tema imaculado.

«Red Vines», ainda um dos temas mais fortes de Mann, encerraria o alinhamento juntamente com «The Moth» e «It’s Not», a pedido da audiência. O nosso pedido é que, numa próxima ocasião, Ted Leo não venha fazer a respectiva corte.

Fotografia por Rita Sousa Vieira



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