The Equalizer – Sem Misericórdia

“The Equalizer – Sem Misericórdia”

O Caminho do Insone Homem do Bricolage

Robert McCall (Denzel Washington) é um trabalhador numa grande loja de bricolage, que aparentemente não consegue dormir.

Sempre que caiem as trevas sobre o seu mundo,  dirige-se a um café local com um livro debaixo do braço, e senta-se numa mesa sozinho, ainda que não isolado, pois todas as noites troca algumas palavras com Teri,(Chloë Grace Moretz) uma jovem prostituta russa, que dá algum colorido à sua noite.

Numa dessas insones noites , Teri decide quebrar a rotina e  sentar-se na mesa de Robert ( ele prefere ser chamado Bob, ela não….) e uma longa conversa dá-nos a conhecer um pouco acerca do seu passado de e dos seus hábitos peculiares.

Ficamos então a saber que Robert é viúvo e está a tentar ler uma lista de ” 100 Livros Essenciais” que a sua amada mulher não conseguiu completar. Assim, todos os dias quando chega do trabalho, após um jantar solitário, ele  pega numa obra prima literária e dirige-se  até ao café onde agora conversa com uma Teri, de cara marcada pela violência de um dos seus clientes e que constantemente rejeita as chamadas que invadem o seu telemóvel.

O improvável par continua a conversa fora do café e quando já estão a despedir-se, surgem duas figuras sinistras que após  agredirem Teri e a colocarem dentro de um carro, entregam a Robert um cartão profissional.

No dia seguinte Robert toma conhecimento de que Teri está hospitalizada e a partir daqui, uma personalidade que jurara esquecer toma conta de si.

Na realidade este Equalizer é uma adaptação( hardcore) para o grande ecrã de uma série televisiva da década de 80 que se centrava num ex- agente dos serviços secretos que ajudava pessoas em dificuldade nas ruas de NY.

Essa filiação à série acaba por ser evidente apenas no fim do filme.

Talvez um dos principais problemas com que o realizador Antoine Fuqua se deparou, foi como apresentar um filme que não parecesse uma adaptação, mas que ao mesmo tempo não renegasse a sua premissa inicial.

O resultado é algo confuso.

Para quem não tenha tido a oportunidade de assistir a série  – em Portugal não passou-  a história não é muito clara e pode até parecer superficial e demasiado inverosímil ( e por vezes é mesmo) , sendo o personagem central muito pouco caracterizado e as personagens secundárias, caricaturais ( as personagens interpretadas por Bill Pullman e Melissa Leo têm direito a dois pequenos diálogos, um sorriso e dois copos de vinho), não ajuda…

Antoine Fuqua inicia bem o filme, mas com o desenrolar da história, tudo vai progressivamente tornando-se menos interessante, mais previsível e banal.

De Marton Csokas ,já esperamos um bom psicopata e de Denzel Washington, um bom vingador. Mas no caso de Denzel, o seu papel em” Homem em Fuga/Man on Fire” é muito mais intenso e convincente.

O filme é um razoável entretenimento, mas padece do mesmo mal que filmes como “Jack Reacher”, ou seja, nunca existe a mais pequena hipótese do “herói” perder a batalha, obviamente ele vai matar toda a gente e sobreviver sem grande dificuldade ou medo.

O momento mais caricato do filme e mais revelador dessa invulnerabilidade do ex-operacional de “black ops“, é quando Robert enfrenta um grupo de perigosos Spetsnaz (comandos russos) com artigos de bricolage, preferindo pistolas de prego a armas automáticas…

Pouco realista para dizer pouco.

Fica um filme que sem dúvida vai entreter os amantes da acção pela acção, mas que nada acrescenta aos que gostam de filmes de acção mais verosímeis e com personagens mais desenvolvidas.

Sai com um Satisfaz Menos.



Também poderás gostar


There are no comments

Add yours

Pin It on Pinterest

Share This