Biréli Lagrène

O “Fenómeno da Guitarra” estreia-se em Portugal.

Não lhe adossaram “maravilha” no nome artístico, como fizeram ao pequeno Stevie Wonder, mas foi um dos muitos apelidos que lhe chamaram. “Fenómeno da Guitarra” foi, quiçá, o que perdurou por mais tempo, talvez por ter sido proferido por John McLaughlin. É o que acontece a quem aos 11 anos de idade já se apresenta em público com um virtuosismo na guitarra fora de série, como o fez Biréli Lagrène.

Parecia Django Reinhardt e soava a Django Reinhardt. No entanto, quem estava por detrás da guitarra era um menino francês de 11 anos, nascido na região cigana da Alsácia, na França. O seu nome era Biréli Lagrène e rapidamente começou a circular pelas bocas do mundo, principalmente após o seu primeiro álbum, “Routes To Django”. Tinha 13 anos.

Biréli Lagrène foi um dos principais nomes do jazz nos anos 80. O seu virtuosismo precoce e a postura perante a música do mestre da guitarra Django Reinhardt, ao qual prestava tributo, valeram-lhe a alcunha de “o novo Django”. Estava-lhe provavelmente no sangue e nas raízes ciganas, tal como estava em Django Reinhardt.

No entanto, ao fim de três álbuns, Biréli Lagrène descarta esse novo apelido e abraça novas sonoridades, virando-se para o jazz eléctrico de fusão. O seu nome começa a aparecer ao lado dos grandes vultos do género: John McLoughlin, Jaco Pastorious ou Al DiMeola, por exemplo. No entanto, apesar da sua técnica e virtuosismo lhe valerem o reconhecimento geral dos seus pares, o mesmo não se pode dizer do público, que não aderiu aos novos álbuns como nos anteriores.

Nada disso preocupou Biréli Lagrène que continuou o seu percurso musical ascendente. Em 1998 gravou o seu disco mais peculiar, “Blue Eyes”, um álbum dedicado inteiramente à música de Frank Sinatra.

É em 2001 que forma então o Gypsy Project, projecto o qual se tem dedicado nos últimos anos. Musicalmente, homenageia as suas raízes ciganas (e consequentemente as composições de Django Reinhardt) e as suas origens francesas, com influência óbvia da chanson. A história já vai na forma de triologia: “Gypsy Project”, em 2001; “Gypsy Project And Friends” em 2002; e “Move” em 2004.

Será, provavelmente, este último que Biréli Lagrène irá apresentar em Lisboa, no próximo dia 6 de Julho, em estreia absoluta em Portugal. A honra cabe ao Fórum Lisboa que o acolherá juntamente com o seu quarteto, complementado por Franck Wolf [saxofone], Hono Winterstein [guitarra] e Diego Imbert [contrabaixo]. Com início marcado para as 21.30 e os bilhetes à venda nos sítios habituais, adivinha-se um concerto, no mínimo, obrigatório.



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