Blasted @ Aula Magna

Do tribal para o comercial?

Depois de uma série de concertos de apresentação do mais recente álbum da banda, “Avatara”, um pouco por todo o país, os Blasted Mechanism estiveram na Aula Magna, englobados na programação da semana da juventude, para dar a conhecer ao público lisboeta as novas músicas, o novo visual e a nova encenação ao vivo.

Já começa a ser tradição os Blasted Mechanism presentearem o público alfacinha com um concerto à borla na Aula Magna, sempre que lançam um novo trabalho. Foi assim com “Namaste” e agora com “Avatara”. Para não variar, a sala estava cheia, o público empolgado e a festa estava à partida garantida. Mesmo com um atraso considerável, os Blasted não desiludiram quem estava lá para saltar e festejar. Mas quais os principais updates desta nova versão da banda?

Comecemos pelo visual. Para além dos novos fatos e máscaras, ainda mais espectaculares e visualmente atraentes, os Blasted têm agora montado um autêntico “circo”, com três painéis gigantes (que não funcionaram na perfeição), plataformas e afins. O segundo upgrade foi na formação. Para além do trio da frente (Karkov, Vald’jiu e Ary), a banda pode agora contar a full time com o multi-instrumentista Nuno Patrício, com o baterista Fred Stone e com Luís Simões aka Zymon na guitarra eléctrica e sitar.

Esta nova formação mais alargada é também a principal novidade a nível musical. A presença de todos estes elementos em estúdio resultou em temas mais orgânicos e mais coerentes com as prestações ao vivo. Mas por muito que a banda tente, os seus registos “físicos” nunca podem espelhar aquilo que acontece em cima do palco. O ambiente, as luzes, os fatos, a postura e a energia da banda ao vivo são uma mais-valia que não deve ser alterada e que os torna num verdadeiro fenómeno em cima do palco, reflectindo-se no público que continua fiel e participativo.

Mas então como foi o concerto? Bem, de uma forma muito geral podemos afirmar que o concerto da Aula Magna mostrou as duas facetas dos Blasted: a mais tribal e a mais comercial.

Depois de um começo a meio gás com o single de apresentação do novo álbum, “Blasted Empire” (e participação do Dj Nel Assassin), a festa começou logo na segunda faixa com “I Believe” do anterior registo Namaste. Durante a primeira parte, a banda foi alternando os novos temas com os hinos de sempre (“Swinging With The Monkeys”, “Are you ready”), culminando num estrondoso “Nadabrovitcka” geral que levou a Aula Magna à loucura.

Depois de uma curta ausência de palco, a banda regressa ao novo disco com uma versão sem Maria João (que colabora neste novo disco) de “Power On” e com uma das faixas mais empolgantes de Avatara, “What it´s All About”. Com a festa instaurada, “The Atom Bride Theme“ foi sem dúvida o ponto mais alto do concerto, numa versão bastante fiel à original com os tradicionais incentivos revolucionários de Karkov.

Mas o público queria mais e os Blasted deram mais. Para que fique bem no ouvido dos mais distraídos, voltaram a tocar o single, “Blasted Empire” (desta vez bem melhor que no início do concerto) e acabaram com a repetição do grito de guerra preferido da banda e dos simpatizantes, “Nadabrovitcka”, numa longa versão de “Karkov”.

Em suma, os Blasted estão de regresso com novo material e, a julgar pela prestação ao vivo, continuam no caminho do sucesso. Para os admiradores mais antigos, amantes do karkoviano e do tribalismo de há dez anos, este álbum não vai encher as medidas. O inglês foi adoptado como língua oficial e os gritos de guerra foram transformados em refrões orelhudos. A essência continua a mesma, mas é clara a tentativa de alargar o espectro de público e obviamente, as vendas.

Uma coisa é certa, os Blasted estão aí e quase que aposto que quem organiza os festivais de verão sabe que a banda é sempre um trunfo em qualquer cartaz nacional.



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