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“Brave”

Técnica Pixar. História Disney

“Brave”, um filme de 2012 que nos faz recuar no tempo até aos áureos e bárbaros momentos dos povos célticos. Esta obra cinematográfica conta-nos a história de Mérida (Kelly Macdonald) uma princesa das Terras Altas escocesas que com o seu cavalo, arco e flecha trilha todas as montanhas do seu reino. Esta vida só é regrada pela presença da sua mãe, a Rainha Elinor (Emma Thompson) que tenta, a todo o custo, disciplinar Mérida e toda a sua família. Billy Connolly dá voz ao Rei Fergus, um exímio e repetitivo contador de histórias que governa todo o seu reino. Como tentativa de manter os valores ancestrais do seu povo, Elinor convida os chefes dos três reinos mais poderosos: o arrogante Lorde Dingwall (Robbie Coltrane), o irritante Lorde Macintosh (Craig Ferguson) e o intenso Lorde MacGuffin (Kevin McKidd) para conquistarem através dos seus estranhos e delirantes filhos a despreocupada Mérida. Não concordando com os seus deveres de princesa, Mérida tenta a todo o custo modificar a mentalidade conservadora da Rainha Elinor e para isso recorre aos serviços de uma velha bruxa (Julie Walters) que muda a sua vida de uma forma inesperada.

É com as paisagens que somos automaticamente enviados para uma Escócia medieval e com todos os pormenores que nos apercebemos do brio e da genialidade pelo que se regem os laboratórios da Pixar. Tanto os trajes fielmente retirados de exemplares históricos, como a água que banha todo o território escocês, até mesmo cada fio de cabelo da princesa Mérida são exemplos que colocam “Brave” como um bom filme de animação, tecnicamente falando.

O problema principia-se e cessa com o desenvolvimento da trama. Quem se senta na cadeira de cinema à espera de um filme como “Up” (2009), “Wall-E” (2008), “Ratatouille” (2007) ou “Toy Story” (1995) desengane-se. A história de Mérida já foi contada um milhão de vezes e quem lê a sinopse já sabe como tudo termina. Neste ponto não se deu muito bem Brenda Chapman (argumentista) que não incluiu qualquer surpresa neste “Brave”.

É importante referir que uma das características deste filme é ser a primeira longa-metragem da Pixar cuja protagonista é uma mulher, sendo ela princesa.

John Lasseter (responsável criativo pela Pixar e Disney) referiu que os filmes da Pixar são feitos para rapazes, para famílias no máximo, porém “Brave” foi criado a pensar mais no público feminino. Acontece que, embora seja uma parceria entre os dois poderosos estúdios, esta obra soa quase como uma forçada aproximação da Pixar à Walt Disney o que, a meu ver, retira um pouco a “aura sagrada” dos filmes pixarianos.

Em termos de realização temos um desempenho medíocre de Mark Andrews, superior, mesmo assim, a Patrick Doyle, responsável pela banda sonora que, embora se aproxime às músicas celtas imperativas para “Brave”, verdade é que havia muito caminho para ser explorado.

“Brave” é com toda a certeza um bom filme, porém estamos mal habituados pelos estúdios californianos da Pixar. Entretém e convence, mas nunca se tornará um clássico!



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