Cass McCombs @ Teatro Maria Matos, Lisboa (16.01.2014)

Cass McCombs @ Teatro Maria Matos, Lisboa (16.01.2014)

"Nos rostos que se vão erguendo dos lugares que ocupavam vêem-se sorrisos. Missão cumprida"

A chuva ameaça mas ninguém liga. No Maria Matos, ali na Avenida Frei Miguel Contreiras, numa das perpendiculares à Avenida de Roma, a lotação está esgotada para celebrar o regresso de Cass McCombs. As portas abrem 10 minutos antes e o povo começa a entrar, sereno.

McCombs desta vez tem à sua espera um palco maior, muito mais gente e uma sala com uma temperatura muito mais amena, quando comparado com o último concerto na ZdB, ainda antes do Aquário ser abençoado com o belo do ar condicionado – vejam lá como o tempo passa. Há também mais dois álbuns para mostrar, um deles duplo, bem fresco e bem bom que dá pelo nome de “Big Wheel and Others”. Pelo meio, uma queda e um braço partido inviabilizaram uma visita que, inevitavelmente, originou uma pequena grande onda de desilusão e uma ansiedade que se torna quase palpável alguns minutos antes do concerto ter início.

Sob o palco está um piano de cauda, uma bateria, um baixo, guitarras e uma slide guitar. Às 22h10 entram em palco quatro pessoas. Com toda a seneridade do mundo, vemos cada uma ocupar o seu espaço, pegar o seu instrumento e, depois de uma mui discreta saudação, começar com a «County Line». McCombs está descontraído enquanto canta “You never even tried to love me“. Bem-vindos ao universo de Cass McCombs. Na sala não se escuta qualquer outro som para além daquele que vem do palco.

«Love Thine Enemy» surge com a guitarra de McCombs a rasgar pela canção e alguma distorção à mistura. Sem parar, salta-se para “Big Wheel and Others” e «Name Written in Water». Por esta altura lembro-me da Karen Black e não consigo deixar de pensar que ela havia de gostar do que se está a ouvir por ali, no Maria Matos. «Big Wheel» é um verdadeiro caleidoscópio sonoro em palco e «Angel Blood» tem um irresistível travo country. Em palco as canções de McCombs, quase sem excepção, crescem em todos os sentidos; são mais longas, mais vivas, mais orgânicas.

Cass McCombs

«Mariah», do “Humor Risk”, é interpretada com uma luz muito reduzida, a pedido do próprio McCombs. É um momento que tem tanto de minimalista como de belo, com o piano a desempenhar um papel fulcral. «Dreams-come-true-girl» é uma canção de amor como há poucas. “You’re not my dream girl. You’re not my reality girl. You’re my dreams come true girl.” Dá vontade de ter uma mão especial ali ao lado para segurar.

Em palco, McCombs e a sua banda lembram as bandas da década de 1990. Apenas o essencial. Um fundo negro. As pessoas e os seus instrumentos, ou seja, mesmo aquilo que interessa. Há pouca conversa e ninguém parece incomodado por isso.

Até ao encore houve ainda tempo para voltar a “Big Wheel and Others” com «There Can Be Only One» e “Prefection” com «City of Brotherly Love» e «Sacred Heart», esta última com o desejo de uma boa noite. O regresso ao palco foi feito ao som de «Lionkiller Got Married», num ritmo frenético, sempre marcado pelos acordes da guitarra de McCombs.

Cerca de uma hora e vinte minutos depois de ter começado o concerto chega ao fim. Nos rostos que se vão erguendo dos lugares que ocupavam vêem-se sorrisos. Missão cumprida.

Fotografia por Luís Martins



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