Death Note vol. 6 – Toma Lá, Dá Cá

“Death Note vol. 6 – Toma Lá, Dá Cá” | Tsugumi Ohba e Takeshi Obata

Ohba mostra-nos como sabe construir uma tensão em crescendo ao longo de cada capítulo, até atingir níveis fervorosos num fantástico clímax final.

Com este 6º volume da série “Death Note”, intitulado “Toma Lá, Dá Cá”, a Devir chegou assim ao meio desta alucinante aventura. É de congratular a editora não só pela aposta em mangá mas, também, pela frequência com que este tem sido editado. O regresso da Devir às publicações de BD parece assim ganhar contornos cada vez mais seguros, nomeadamente no que toca ao mangá, tal como se pode comprovar com o início da publicação de “Naruto” e, igualmente, com a promessa de “Blue Exorcist” para um futuro muito próximo.

Até aqui tudo séries Shōnen (mangá direcionado maioritariamente ao sexo masculino dos 13 anos para cima), o que faz sentido se tivermos em conta que é o género de mangá mais popular. Porém, consoante a taxa de sucesso destas edições, talvez a Devir se arrisque por outros campos. Ainda assim, apesar de “Death Note” se encontrar nesta categoria, afasta-se dos restantes títulos mencionados por ter conteúdos mais maduros e que o aproximam do género Seinen (mangá direcionado maioritariamente ao sexo masculino entre os 18-30 anos), o que também poderá ter contribuído para o seu grande sucesso (é dos mangás mais vendidos no mundo) uma vez que tanto os habituais leitores de Shōnen como os de Seinen, poderão se interessar pela mesma. De qualquer das formas, o maior mérito do sucesso de “Death Note” prende-se com uma excelente premissa, cujo desenvolvimento tem sido do mais aliciante possível e, esse mérito, ninguém lho tira.

É de sublinhar que este texto, não desvendando o enredo deste volume, fará menções a acontecimentos passados nos antecedentes, sendo um texto direcionado a quem tem vindo a seguir os restantes capítulos. No volume anterior, o duelo entre L e Light havia assumido proporções tão hercúleas que algo teria de, obrigatoriamente, mudar na série. Depois de L nos ter proporcionado a maior reviravolta da história ao se revelar a Light (quem estava à espera desta?), a sua investigação começou a aproximar-se cada vez mais dos detentores dos dois cadernos da morte – Light e Misa. Da forma que a história estava a seguir, Tsugumi Ohba tinha de tomar uma decisão drástica: ou concluía este duelo de titãs ou, então, precisava de uma outra reviravolta – o autor optou pela segunda.

Em mais um desenvolvimento mirabolante – a como esta série nos tem bem habituado -, Light entrega-se a L, abdicando posteriormente da posse do caderno da morte e, por conseguinte, das suas memórias em relação ao mesmo. Claro que não o faz sem antes instruir o Shinigami Rem para entregar o caderno a outro humano, na condição de que este continue os seus julgamentos. Desta forma, com as acções de Kira a continuarem e com Light preso, L acaba por ver-se obrigado a libertá-lo, algo que não faz de bom grado.

Como Light já não possui as suas memórias enquanto Kira, estamos agora perante uma personagem substancialmente diferente e que tem intenções sinceras quando se voluntaria em ajudar na investigação de L. Foi uma decisão sensata e interessante, esta do autor, que, apercebendo-se que uma determinada linha narrativa tinha chegado ao fim e em vez de a esticar até ao aborrecimento, optou antes por outro tipo de mudança radical. Agora, L e Light trabalham juntos – mesmo juntos porque estão algemados um ao outro uma vez que L ainda desconfia dele – para apanharem o novo Kira que, pela primeira vez, tem uma identidade também misteriosa para o leitor.

Este volume trata precisamente da história referente à investigação do novo Kira, que já havia sido iniciada no final do volume 5 e que Light já havia focado nos líderes da empresa Yotsuba. Seguimos assim, ao longo deste volume, uma operação policial com resultados bem mais produtivos do que quando Light era Kira. Quanto ao novo Kira, não é de longe uma personagem tão interessante como Light, mas é uma que vale a pena conhecer para termos a imagem do que outra pessoa faria com o caderno; neste caso, alguém mais avarento que usa o caderno apenas para enriquecer à custa da vida de outros, um objectivo muito mais banal e mesquinho que o de Light, mas que vale a pena mostrar. Este Kira assume-se logo distinto, por exemplo, quando ameaça a vida dos políticos se estes continuarem a tentar capturá-lo, o que leva a retirarem a polícia deste caso, uma decisão que terá as suas repercussões na equipa de L.

À medida que a investigação vai evoluindo, Ohba mostra-nos como sabe construir uma tensão em crescendo ao longo de cada capítulo, até atingir níveis fervorosos num fantástico clímax final. Como é típico no mangá, estamos perante uma narração visual muito dinâmica e, neste caso em particular, onde há sempre algo relevante a acontecer e a ser descoberto.

Tsugumi Ohba ficou conhecido mundialmente através de “Death Note”. Contudo, no caso do desenhador Takeshi Obata o caso é outro, pois estamos perante um autor que já gozava de um maior reconhecimento – reconhecimento esse que volta a ser justificado em “Death Note”. Obata tem um traço fluido e uma atenção à caracterização das personagens, que dão uma vida não só muito enérgica mas, também, pessoal a esta série. Mesmo que os Shinigamis sejam de certeza das personagens mais engraçadas de desenhar, sente-se sempre que Obata se diverte muito com L – quiçá o detective mais peculiar a pisar as páginas de um mangá – e isso é um sentimento que passa para o leitor.

Depois deste final fica a questão no ar: qual será o novo rumo que a série seguirá? E será que Light abdicou mesmo do seu plano de ser Kira? É algo que custa a crer, tendo em conta a sua personalidade. De qualquer das formas, as respostas terão de aguardar pela edição do sétimo volume que, se tivermos em conta o que tem sido feito até aqui, promete ser épico.



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