Deerhoof @ Lux

Mais uma noite peculiar no Lux.

Os Deerhoof não são uma banda qualquer.

Os Deerhoof têm um toque de exotismo oriental na figura da sua front-woman Satomi Matsuzaki, uma japonesinha de metro e meio com voz de menina e que, enquanto canta, desenha com os seus dedos pequeníssimos figuras no ar. Parece saída de um conto de fadas, uma coroa invisível a pesar-lhe na cabeça. Toca também um baixo igualzinho ao do Paul McCartney, o que é giro.

Os Deerhoof têm um toque de free-jazz. Greg Saunier, fundador da banda, toca a bateria arritmicamente. À primeira, custa a adivinhá-lo, parece que desacompanha os outros instrumentos, tal é o desfasamento, para depois nos darmos conta que aquele é o ritmo mais preciso e necessário àquele som.

Os Deerhoof têm um toque de noise na guitarra de John Dieterich. O ruído que dela sai atinge níveis de pura luz branca. Outras vezes, há acordes melodiosos, de embevecer. Em todas as ocasiões, a cara de Dieterich contorce-se em esgares, quem sabe se de esforço, se de outra coisa mais prazeirosa.

São assim os Deerhoof ao vivo, foram assim os Deerhoof no passado dia 6 de Junho no Lux. Sem Chris Cohen, o segundo guitarrista que saiu recentemente da banda, transformam-se num power trio que mistura alquimicamente o barulho e a doçura. Mal comparado (e as comparações nunca lhes farão justiça), são uns Stereolab com uma dose forte de Sonic Youth por cima.

O concerto deixou água na boca, durou cerca de uma hora, o que foi muito pouco quando apetecia ficar noite dentro a ouvir aquelas canções. Um dos momentos altos ocorreu quando Satomi largou o baixo e pegou no microfone e numa espécie de adesivo e cantou «Gore in Rut», cujo refrão é, mais coisa menos coisa, “Bunny, bunny, bunny, bunny, bunny… bunny”. Outras cantigas a marcar a noite foram «Panda Panda Panda», «O’Malley, Former Underdog», «Spy On You» ou «Flower», todas entre os três mais recentes álbuns dos Deerhoof: “Apple O’”, “Milk Man” e “The Runners Four”, qualquer deles bastante recomendável, especialmente o primeiro e o último.

Já se alvitra que uns Deerhoof possam ser o futuro da pop e não se anda longe da verdade: música assim interessante e vital não anda por aí ao pontapé.



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