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Dirty Beaches

O músico movido a cinema.

Alex Zhang Hungtai aka Dirty Beaches actuou nos dias 21 e 22 de Julho na ZDB em Lisboa e no festival Milhões de Festa em Barcelos. Entrevistámos este adorador de pasteis de nata e ex-cozinheiro com pinta de rockabily no rescaldo do concerto no Milhões. Alex falou-nos do cinema, do novo álbum e de Portugal.

“Estava no quarto e sentei-me à janela a fumar um cigarro e havia uma velha a lavar a roupa, e depois estas crianças a jogar futebol e um cão, e é como a Europa fantasia, é como tudo aquilo que eu sonhei que seria a Europa”. É assim que Alex descreve a sua primeira impressão de Portugal na sua primeira tour em território europeu. O primeiro concerto na noite anterior foi admirável, três encores e uma ZDB a rebentar. Sorri e agradece a hospitalidade, depois desculpa-se porque hoje “estava mesmo cansado” mas “foi divertido”.

“Badlands”, o seu primeiro álbum saiu este ano, um álbum inteiramente gravado em casa. Factor que lhe dá o som tão característico que associamos às suas canções. Quando perguntamos se o próximo álbum também terá o mesmo modo de produção, responde que desta vez vai pedir a um amigo para lhe ajudar a gravar em 4 pistas “só para que haja mais opções”. Porque Alex acredita que se tem de fazer melhorias ao longo dos trabalhos e é isso que ele persegue, melhorar bocadinho a bocadinho. “Se ouvires, do meu primeiro trabalho em 2005 a “Badlands” há uma melhoria, eu quero continuar a ter esta lenta melhoria. Como, quanto mais dinheiro eu ganho, mais orçamento tenho, por isso quero expandir bocadinho a bocadinho” para um dia vir a gravar num estúdio. Daqueles a sério. E Alex é um destemido; ao perguntarmos se não tem medo de perder este som tão característico, se mudar o modo de produção do álbum, Alex garante que as pessoas não se devem manter no mesmo, gosta dos “artistas que têm vontade de experimentar coisas diferentes, que não se limitam a um único estilo”. Talvez por isso tenha começado a sua vida musical numa banda de heavy metal.

A relação com o cinema está muito marcada no trabalho de Alex, a maneira como compõe é totalmente retirada do processo cinematográfico. “Quando tenho uma ideia eu penso nela como um filme, como o processo de um filme. Eu tenho um personagem ou uma história, tenho um tema, e depois faço um casting, ou seja, crio um som. O som é o actor principal, e a partir daí faço toda a pesquisa necessária para construir este personagem. A partir daí eu escrevo uma espécie de storyboard e tento segui-lo ao máximo. Eu escrevi cerca de trinta canções para “Badlands”, mas apenas oito ficaram, porque essas são aquelas que se encaixam no storyboard”.

Recentemente compôs a banda sonora do documentário “Practical ESP: Sensory perception and the horse sanctuary”, e agora, confessa, está a preparar o seu currículo para a Canadian Film Score Agency “estão à procura de artistas que tocam em bandas, que não têm formação clássica, por isso estou a trabalhar no meu currículo e talvez possa ter um trabalho a tempo inteiro.” Fazemos figas para que consiga o emprego, mas esperamos secretamente que este não o impeça de continuar a dar-nos música.

Mas Alex garante que já está a preparar o novo álbum. “Toquei uma série delas no concerto. Estou ansioso por acabá-lo.” E eis que nos surpreende com a declaração de que “há montes de saxofone, há um monte de sax louco e ruidoso”. Mas Alex ainda não sabe a direcção que o trabalho vai tomar, “eu só vou escrever, como fiz para “Badlands”, eu só vou escrever trinta canções e depois editá-lo, transformá-lo numa história.”

Promete voltar brevemente e desta vez para ficar mais tempo. Ficamos à espera.



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