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DISCOtexas Titan Thursdays – Shadow Dancer

2 de Abril, Lux.

Na primeira quinta-feira de cada mês os ananases invadem a pista do Lux; é a residência do colectivo Discotexas, onde os comandos da noite são sempre divididos entre os artistas da Discotexas e um convidado.

Este mês o convidado foi um dos irmãos da dupla Shadow Dancer que lançou recentemente o álbum Golden Traxe, pela Boys Noize Records e foi a Xinobi que calhou a missão de abrir a noite e aquecer a pista – que foi tomando forma ao som de electro-house melódico e bem dançável.

O público é uma caldeirada entre os habitués de Discotexas e os que procuram o Lux sem olharem ao cartaz… estão lá os clubbers, os fashionistas, os scenesters e todos os outros. É agradável e não satura.

Os ritmos tornaram-se progressivos, 110… 120… 130 bpm. Podia-se ouvir Jump Arround ‘in beat’ a pista fundia-se num movimento de êxtase e loucura. Xinobi demonstrava a sua mestria na mesa de mistura enquanto o convidado da noite entrava na cabine vestindo a camisola da Turbo Records. Preparou o equipamento, um macbook e um controlador (viva o ableton), enquanto Xinobi passava a malha porque todos esperavam…Raven.

Por momentos a música pára. É o live act de Shadow Dancer que começa. Os live acts, se forem bem feitos, são muitas vezes injustos para o artista. Exigem preparação prévia e têm uma assinatura que representa convicções musicais fortes e, apesar de terem muito de improviso (ou deveriam ter – é por isso que se chamam live act) dão pouca margem para fugir. Ou o público aceita e respeita ou dificilmente se dá a volta por cima.

Não se pode dizer que desta vez Shadow Dancer tenha sido infeliz, mas tudo o que Xinobi tinha feito pela pista perdeu-se naquele momento. O live act começou sem energia, do zero mesmo, provavelmente porque foi orquestrado para ter um princípio, meio e fim. Mas o princípio já tinha passado… E não podemos voltar ao início quando somos o elemento do meio.

O público confuso parou de dançar, dissipou-se muita energia e a pista morreu (até eu me distraí, perdendo o fio à música…). Não tenho a certeza de quanto tempo passou, mas quando voltei a mim o som era clássico – um pouco de acid, um pouco de techno. Não é bem o que esperaríamos ouvir numa noite da Discotexas mas olhei à volta e não era o único a gostar, lentamente a pista tinha voltado a ganhar momentum…

Não sei se Shadow Dancer reparou, pois estava sempre muito absorto no seu controlador, mantendo o ritmo constante e sem muitos sobressaltos. Fiz as minhas contas, uma hora, Shadow Dancer chegou ao fim e o público despediu-se com aplausos e elogios, parece que o saldo foi positivo.

É tempo de Double Damage, a dupla demoníaca de Discotexas, e se houver música que precise de ser exorcizada eles sabem como fazê-lo. Depois do seu habitual sacrifício do vinil, seguiram-se batidas dark e profundas intercaladas com som mais rápido e saturado. É inegável como estes tipos sabem prender a nossa atenção.

Entretanto, foram-se fazendo notar os primeiros dissidentes, ainda assim os demónios puxavam pela pista e entrando em Banger-mode de forma a apelar às emoções.

E Xinobi foi Alfa e Omega, o principio e o fim… voltou das seis às sete, mais versátil, para entreter os resistentes.

Contra muitas expectativas sobrevivi, a noite terminou com os pés doridos e o sol a raiar. Agora é caso para perguntar se os membros da Discotexas foram para casa a ouvir Digitalism… ‘We have the biggest party ever’, tururu…



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