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Estarrejazz

Sempre com a habitual mistura de workshops e concertos (sendo os primeiros, como sempre, a nota introdutória), Estarreja não se poupou em esforços na promoção do jazz nacional.

Mantendo a tradição de entusiasmo cultural, e de incentivo às boas vibrações, o Cine Teatro de Estarreja (CTE) promoveu, de 21 a 26 de Novembro, a 6ª Edição do Estarrejazz. Sempre com a habitual mistura de workshops e concertos (sendo os primeiros, como sempre, a nota introdutória), Estarreja não se poupou em esforços na promoção do jazz nacional.

Nos workshops destacaram-se professores de renome como João Moreira, Jorge Reis, Bernardo Moreira e Paulo Bandeira que, com a sua experiência nestas andanças, brindaram profissionais, amadores e curiosos com aulas de trompete e bocais, saxofones e palhetas, contrabaixo e baixo eléctrico, e ainda bateria. Às técnicas instrumentais, juntaram-se aulas de técnica e linguagem de jazz, e aulas de ensemble. Os workshops culminaram na formação de uma banda temporária de jazz, Big Band, com direito a estreia musical no palco do CTE.

Com actuações de Nelson Cascais, e o seu estreado “Golden Fish” extremamente aclamado pela crítica, Paulo Bandeira Trio, e Daniel Bernardes Trio (um after hours no Bar CTE que nos transportou aos grandes autores clássicos), o destaque foi mesmo para Mário Laginha no concerto de encerramento. Apesar de uma afluência de público bastante inferior à qualidade do músico, e de um Mário Laginha parco em palavras, as suas mãos ao piano falaram, como sempre, por si. E embora a solo Laginha afrouxe a improvisação que o caracteriza (claramente por ausência de quem o desafie e nunca por falta de competência), a sua qualidade artística é exímia. Por muitas que sejam as experiências ao vivo, Mário Laginha surpreende sempre. Pelo pé periclitante, as mãos não raras vezes a fugir das teclas para as cordas, e a sua actuação quase alienada, de tão impregnado na criação. Óbvio e compreensível, não fossem os temas marca registada a solo do compositor. «Um Choro Feliz» foi um verdadeiro aconchego para a alma, como o foi «Bernice», que em nada lhe ficou a dever. Falha apenas na apresentação das músicas após o ouvido, deixando o espectador à nora no significado e ancoragem.

Laginha reinventa-se, enquanto reenquadra Bach e Chopin nos seus dedos de improvisação. «Mongrel», o seu belíssimo tributo ao universo Chopin, foi inclusivamente considerado Melhor Disco no Prémio Autor 2011 – SPA. E merecido seja.



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