artigo_ojos_de_brujo

Festival Med de Loulé

Quinta-feira, 25 de Junho.

A sexta edição do festival Med de Loulé, que decorreu de 24 a 28 de Junho, teve este ano um dos seus melhores cartazes. O Med tem crescido a nível nacional e internacional e é, cada vez mais, um dos festivais mais importantes de world music em Portugal. Do seu cartaz, podemos salientar nomes sonantes como Stewart Copeland (baterista/polvo) dos Police, Horace Andy (uma das referências do reggae/dub), a Orquestra Buena Vista social Club, Camané, Bajofondo e Ojos de Brujo, entre outros.

O recinto do festival é o centro histórico de Loulé; as ruas estão decoradas a rigor e repletas de pessoas. Temos à nossa disposição restaurantes, bares e lojas. Temos concertos em cinco palcos distintos: no largo da igreja matriz, no castelo, na bica, na cerca e no arco. A localização dos palcos está devidamente sinalizada e a circulação entre eles faz-se relativamente bem, consoante a hora e o dia do festival.

A nossa primeira paragem foi no espaço explorado pelo BaFo de Baco, bar mitíco Louletano que, desde há muitos anos a esta parte, tem uma programação de qualidade no que toca à música made in Portugal, sendo portanto uma referência e um sítio a visitar.

Já mais refrescados, seguimos para o arco para ouvir o projecto Abmiram, grupo composto somente por instrumentos de percussão dentre os quais sobressai a marimba. O seu reportório passou por vários estilos musicais e o concerto foi uma agradável surpresa para todos. Depois de uma breve consulta ao programa do dia, seguimos para o palco da Cerca, onde estava Eneida Marta, cantora da Guiné-Bissau com alguma projecção internacional, tendo os seus três discos sido editados em França, Holanda e Estados Unidos da América. Acompanhada por uma excelente banda, Eneida Marta levou-nos para terrenos africanos, tendo até dado uma aula sobre um instrumento africano de percussão, a Tina, que como o nome indica é uma tina cheia de água, com uma cabaça cortada ao meio e virada ao contrário, produzindo assim um som grave. O concerto foi pleno de ritmo e a simpatia  dos músicos contagiante.

De regresso ao largo da igreja matriz, o colectivo de Barcelona, Ojos de Brujo, começa a festa que dura cerca de duas horas. Numa mistura eclética de estilos e dando uma nova roupagem ao flamenco, os Ojos de Brujo deixam-nos sem fôlego. Iniciam o concerto só com guitarra flamenca, voz e bailarina. A dinâmica vai subindo e os outros elementos do grupo vão entrando. De repente estamos numa jam global, do flamenco passam para o funk e hip hop, daí saltam para a salsa e acabam no rock. Com vários anos de estrada, três álbuns de originais e outros tantos de remixes, são uma máquina bem oleada com exímios instrumentistas, donde podemos destacar a secção rítmica, simplesmente espantosa.

Ainda atordoados pelos Ojos de Brujo, caminhamos em direcção ao palco da cerca, onde uma das lendas vivas do reggae, Horace Andy, já se faz ouvir. Este Jamaicano de carreira extensa, tem desde a década de 70 uma enorme legião de fãs. Isto deve-se em parte à sua capacidade de inovar e de acompanhar os tempos; o seu som vai sempre sofrendo mutações e os seus trabalhos são muito bem recebidos, quer pela crítica, quer pelo público. São frequentes as suas colaborações com os Massive Attack  e com os Dub Pistols. O concerto foi baseado no seu ultimo álbum, “From the Roots-Horace Andy meets Mad Professor”, os temas foram desfilando em toada reggae e dub e ainda fomos presenteados com alguns clássicos como «Love of a woman», tema de 1971. Foi uma festa constante.

Recomenda-se vivamente uma visita ao melhor festival algarvio.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This