Festival Mestiço

Viagem musical na Casa da Música.

Uma das premissas da criação da Casa da Música no Porto foi a necessidade de diversificar e intensificar as propostas culturais da cidade Invicta. A programação do espaço tem tentado abranger um grande espectro de tendências, acompanhando assim a evolução da música nos quatro cantos do planeta. De 10 a 13 de Maio, o Festival Mestiço é mais um exemplo da diversidade imposta pela programação da Casa da Música. Conheçam o programa das festas nos parágrafos seguintes.

Quarta-feira, dia 10 de Maio

Sala Guilhermina Suggia (Sala 1) – 10 euros

Tom Zé

Com 70 anos de idade, Tom Zé é um vulto da música brasileira. Com uma carreira sempre afastada do mainstream mais directo, o músico sempre esteve na linha da frente da experimentação sonora, onde mistura com uma mestria inigualável, o rock, bossa nova e a música tradicional portuguesa.

O concerto agendado para a Casa da Música está englobado numa curta digressão lusitana (Culturgest- Lx – dia 4 de Maio, Teatro Municipal de Faro – dia 12 de Maio), onde o músico irá apresentar o seu mais recente disco de originais – “Estudando o Pagode – Na Opereta Segrega Mulher e Amor”, considerado como uma das maiores pérolas da sua vasta discografia e onde apresenta um manifesto em defesa do samba e do pagode.

Quinta-feira, dia 11 de Maio

Parque de Estacionamento – 22h – 10 euros

Ojos de Brujo

Oriundos da Catalunha, os Ojos de Brujo são um dos representantes mais importantes das novas explorações sonoras da música tradicional espanhola. Partindo do flamenco, boleros e rumbas catalãs, a música deste projecto inclui ritmos tão variados como os do funk, hip-hop, dub, reggae e rock’n’roll, com uma “alma cigana” bastante vincada e perceptível nos espectáculos ao vivo.

Dois anos depois de terem recebido o prémio da BBC para melhor disco de World Music de 2004 (com “Bari”), os Ojos de Brujo regressaram este ano aos registos com “Techari”, um álbum que volta a apostar na experimentação com outros artistas e nas novas formas de expressão do Flamenco. “Techari” será o mote para a actuação da banda na Invicta, que terá como convidados o trompetista Carlos Sarduy, a corista María Luna, a bailarina Susana Medina e o VJ André Cruz.

Tinariwen

Estreia absoluta em Portugal do projecto oriundo do Mali, formado por ex-rebeldes tuaregues, que em 2004 viu o seu segundo registo de originais, “Amassakoul”, ter sido considerado “O Melhor do Ano” pelo editor-chefe para a Europa da revista Billboard.

Liderados por Ibrahim Ag Alhabib, os Tinariwen são conhecidos como o primeiro grupo a fundir a música tradicional tuaregue com guitarras eléctricas, sendo influenciados tanto por Bob Marley e Bob Dylan, como pelos rebeldes marroquinos da nova vaga, como Nass El Ghiwane.

Para além do concerto no Porto, a banda tem agendados mais dois concertos para Portugal. Assim, no dia 12 de Maio actuará em Lisboa no Club Lua e no dia seguinte em Torres Novas no Teatro Virgínia.

Sexta-Feira, dia 12 de Maio

Parque de Estacionamento – 22h – 10 euros

Macaco

Liderado pelo espanhol Dani ‘El Mono Loco’ Carbonell, o grupo Macaco não estabelece fronteiras na sonoridade nem na formação. Composto por músicos latino-americanos (entre eles, um brasileiro) e europeus, os Macaco exploram, com harmonia, ritmos e elementos de diversos países como o reggae, hip-hop, rap, rock, funk, folk e flamenco.

Considerados um dos projectos mais interessantes da “cena de barcelona”, os Macaco vêm à Casa da música apresentar o seu quarto álbum de originais, “Ingravitto”.

Shantel (DJ Set)

O primeiro artista alemão a vencer um prémio de World Music da BBC, Stefan Hantel, será o responsável pela animação da noite de sexta-feira. Sonoridades brasileiras e do Norte de África, baladas romanas e danças dos Balcãs. Escolhas ecléticas de um dos maiores divulgadores da World Music na Europa.

Mundo Secreto

Oriundos de Leça da Palmeira, os Mundo Secreto têm vindo a afirmar-se no panorama musical nacional como um colectivo que, de forma poderosa e contagiante, dá a conhecer a sua música, resultante da convergência de vários estilos, desde o hip-hop ao R&B, funk e soul. Ao vivo, os Mundo Secreto contam com a participação de Alexandre Almeida, dos Bandemónio, e Mafalda Leite (voz).

Sábado, dia 13 de Maio

Parque de Estacionamento – 22h – 10 euros

Dj Dolores

Projecto APARELHAGEM

Depois do projecto Orchestra Santa Massa – com quem editou Contraditório, que lhe valeu o prémio BBC World Music Award, na categoria de Club Global – DJ Dolores lança este segundo registo, no Brasil e na Europa, que conta com o selo da Ziriguiboom/Crammed Discs, a editora de Bebel Gilberto, Bossacucanova e Trio Mocotó.

A convergência perfeita entre as sonoridades tradicionais do nordeste brasileiro e a electrónica contemporânea. Para saborear e dançar.

Cibelle

Uma das mais surpreendentes vozes brasileiras regressa ao nosso país para apresentar os seu mais recente disco, “The Shine of Dried Electric Leaves”, uma das mais agradáveis surpresas deste ano editorial.

Aliando a simplicidade acústica com guitarras e processadores electrónicos, o novo disco de Cibelle dá a conhecer uma sonoridade muito mais abrangente que a natural harmonia da sua voz. Como convidados neste registo, Cibelle conta com o conterrâneo Seu Jorge, o norte-americano Devendra Banhart, e o MC francês Spleen (CocoRosie). Para além dos originais, este trabalho apresenta versões pouco usuais como a de «Green Grass», de Tom Waits; «London London», de Caetano Veloso, que é cantada em dueto com Devendra Banhart; e «Por Toda a Minha Vida», de Antonio Carlos Jobim.

Philarmonic Weed

Formados por elementos oriundos de 4 continentes, os Philarmonic Weed estreiam-se na Casa da Música e vão aproveitar a ocasião para dar a conhecer o seu primeiro longa-duração, “Primeiro Mundo”, registo que conta com a participação de Sam the Kid, Melo D, João Gomes (Cool Hipnoise), Prince Wadada, DJ Nel Assassin e o norte-americano Jesse Chandler.

As diferentes influências de cada elemento da banda, reflectem-se na sua sonoridade, marcada por estilos tão diversos como o reggae, afro-beat, funk, drum’n’bass, samba, soul, blues e jazz, sempre com uma mensagem intervertiva e de carácter social.



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