Festival Músicas do Mundo | Quinta-feira 26 de Julho de 2012

Festival Músicas do Mundo | Quinta-feira, 26 de Julho de 2012

Dubioza Kolektiv

O Festival Músicas do Mundo (FMM) é um festival de descobertas. A quem o frequenta é pedido apenas que venha com o espírito aberto e com vontade de descobrir e ouvir novas sonoridades.

Quinta-feira acabou por ser um dia estranho. Houve, como sempre, lugar para descobertas, mas o concerto que realmente mexeu e que já é, para muitos, o melhor do festival até ao momento, teve lugar logo pelas 20h. Os responsáveis? Os Dubioza Kolektiv, da Bósnia-Herzegovina. O que inicialmente deveria ter sido o último concerto da noite, no palco do Pontal, acabou por se tornar no concerto com a hora mais ingrata, tudo por culpa do horário do voo que a banda teve de apanhar depois, e que inviabilizava uma actuação a partir das 2h30 da manhã. Felizmente não faltou gente para fazer a festa total. Em palco, a receita dos Dubioza Kolektiv – que parecem uma equipa de futebol pela forma como se apresentam vestidos em palco – é simples: rock, ska e funk devidamente ligados por sonoridades dos Balcãs, e com uma incontornável mensagem política e social. O resultado? Rambóia pura! Tinham sido mesmo a banda perfeita para encerrar o dia…

Depois de um concerto explosivo, que pôs toda a gente a dançar e a saltar, nada como uma caminhada até ao Castelo para assistir ao concerto dos argentinos Astillero e a sua leitura moderna do tango. Soa realmente diferente. Chamam-lhe tango de ruptura. De ruptura pela forma como cruza géneros tudo menos familiares ao tango, como o jazz ou o rock. É dilacerante e cortante o som que nos chega do palco. Prende-nos o olhar. Um bom concerto para começar a noite.

Fatoumata Diawara é do Mali e chega-nos como uma das maiores promessas do ano. A cantautora, que vem seguindo as pegadas de nomes como Oumou Sangaré e Rokia Traoré, tem uma entrada tímida em palco, com os seus longos cabelos escondidos debaixo dos lenços enrolados na cabeça. Os seus olhos parecem sorrir enquanto nos fita e toca guitarra, mas parece faltar embalagem para quebrar a casca sob a qual se esconde. Felizmente, a meio do concerto tudo muda; Fatoumata solta os seus longos cabelos e solta-se a si própria. Torna-se um furacão de energia contagiante e hipnótico no palco e isso propaga-se pelo público de forma viral. E todo o Castelo dança.

A expectativa no ar para voltar a receber os Staff Benda Bilili era palpável, tudo por culpa do grande concerto que proporcionaram na edição de 2010 do festival. Foi um belo regresso. Foram recebidos de coração e braços abertos por todos e continuam a representar uma lição de vida mas o concerto, embora tenha sido bom e contagiante, não atingiu o nível do de estreia, talvez por o factor novidade já não entrar na equação… De qualquer maneira, os blues de Kinshasa fizeram-se escutar a alto e bom som e foram Très Très Fort. E todo o castelo continuou a dançar.

O último concerto da noite coube aos portugueses Uxu Kalhus, por troca com os Dubioza Kolektiv, e, pese embora o esforço, a dedicação e a visita guiada pela riqueza da música tradicional portuguesa que nos foi oferecida, não nos conseguiram fazer esquecer aquilo que se passou naquele mesmo palco, junto ao Pontal pelas 20h…

Fotografia por Mário Pires



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