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Festival Vilar de Mouros |Dia 2 (24.08.2018)

O sol volta a brilhar e a aquecer os corpos que lentamente se dirigem para o recinto onde a esta hora do dia ainda é possível sentir o cheiro intenso a terra deixado no ar pela “rega” efetuada por uns incansáveis bombeiros que tentaram evitar as malfadadas nuvens de pó tão habituais neste tipo de eventos.

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Muitos dos primeiros a entrar são acercados pelos colaboradores dos patrocinadores que tentam que os festivaleiros ostentem brindes que divulguem a sua marca.

Hoje o dia será marcado pelo equilíbrio entre as bandas portuguesas e as estrangeiras já que dos seis concertos programados três são de portugueses. À vista ressalta que a média de idades no recinto baixou, ou não fossem os Incubus um dos cabeça de cartaz.

Scarecrow Paulo é o primeiro a entrar em ação quando o ponteiro assinala as 19 horas. O ex-Heróis do Mar, LX90, Ovelha Negra (entre outras), o multifacetado “Espantalho” Paulo Pedro Gonçalves apresentou-se com um visual descontraído aparentando ter acabado de sair ou de estar a entrar para um SPA e brindou o, ainda pouco, público presente com as sonoridades pop do seu álbum “Shank”.

Ainda o relógio não chegava às 20h é já os GNR entravam em palco arrastando para essa zona muitos dos que aproveitavam para comer e/ou beber e outros que exploravam o recinto. Foi um Rui Reininho igual a si próprio num registo cheio de ironia e de “graçolas” que só a ele ficam bem que os GNR tocaram êxitos um após outro passando por “Efectivamente”, “Asas Eléctricas”, “Sangue Oculto”, e “Morte ao Sol” que pôs os festivaleiros que assistiam a servir de coro para a banda nortenha que mostrou ser como o vinho do Porto “Quanto mais velho melhor!”. A despedida foi feita com um Rui Reininho saindo em braços dos seus colegas de banda que deu origem a frases como “Este gajo é espetacular!”.

No público um festivaleiro “ocasional” fazia a sua estreia em Vilar de Mouros, o primeiro-ministro, António Costa, que aproveitando a “reentré” política do PS no dia seguinte em Caminha fez uma visita surpresa e inesperada ao festival acompanhado da esposa e do ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues.
Depois de enaltecer o contributo que os festivais de Paredes de Coura e de Vilar de Mouros têm dado ao desenvolvimento desta região ainda afirmou que com muita pena, devido a compromissos, teria de ir embora após o concerto dos GNR mas que voltaria com mais tempo numa próxima edição.

Foi já sem o Chefe do Governo em “campo” que David Fonseca fechou o “cartaz português” deste dia e trazia como premissa apresentar o seu mais recente álbum Radio Gemini, editado este ano e que conta com músicas que ficam no ouvido como “Oh My Heart”. David Fonseca já desde os tempos idos de vocalista dos Silence 4 é sinonimo de concertos enérgicos e em Vilar de Mouros não defraudou as expetativas apesar de ter apostado numa sonoridade mais “dançavel” mais eletrónica e menos rock como à partida o festival apelava. Num espetáculo em que pediu a participação do público e este aderiu de imediato quanto mais não fosse “para salvar o gatinho que atravessava a rua e cuja vida dependia da forma como o público se fazia ouvir” ecoaram temas em nome próprio como “Kiss me oh Kiss me”, covers como “I just can”t get Enough” dos Depeche Mode ou “O Corpo é que paga” de António Variações, finalizando por entre confettis, bolas gigantes e um “cão” gigante em palco com o público a cantar e a dançar “The 80″s” em uníssono enquanto o músico de Leiria de megafone na mão entoava “Dance, dance…”.

Foi para um recinto repleto e bem “aquecido”, pelos portugueses que atuaram antes, que os Editors deram um dos melhores concertos desta edição de Vilar de Mouros. Tom Smith e a restante banda mostraram estar em grande forma e mais do que isso que continuam a ter muitos conhecedores e seguidores da sua música em Portugal. Os Editors aproveitaram para apresentar alguns temas, muito bem aceites pelo público, do seu novo álbum “Violence” editado em Março passado mas foi em temas mais antigos como “Sugar” ou “No Sound But the Wind” cantando em uníssono pelos presentes e com “Papillon” que levaram o público presente à apoteose. Em resumo os Editors mostraram que continuam atuais sem desagradar aos seguidores mais antigos e que são donos de uma qualidade musical que os coloca no patamar do melhor que se faz no panorama musical mundial.

Com mais de 27 anos de uma carreira recheada de muitos sucessos e de muitos festivais como cabeça de cartaz os californianos Incubus chegaram a Vilar de Mouros com oito álbuns de originais, o último dos quais “8” gravado em 2017, como curriculum. Numa sondagem feita à “boca” de palco era fácil perceber que eram a banda eleita do dia fator que talvez atrapalhasse outras bandas mais inexperientes mas não Brandon Boyd, Mike Einziger e Jose Pasillas. Foram a única banda a não permitir a recolha de imagens ou vídeo à comunicação social o que deixava em aberto a apresentação de novos temas o que não se veio a comprovar. Do cardápio fizeram parte os temas incontornáveis e cantados de cor pelo público como “Drive”, “Wish You Were Here”, “Dig”, “Pardon Me” e onde ainda houve tempo para covers de clássicos como “Need You Tonight” dos INXS ou “ Wish You Were Here” dos Pink Floyd. Se a fasquia com os Editors tinha sido elevada para um nível altíssimo os Incubus facilmente igualaram essa marca.

As honras de fecho do segundo dia estavam entregues ao trio de irmãos Kitty Daisy & Lewis que apesar de pouco conhecidos em Portugal traziam como imagem de marca serem uma das bandas favoritas de Amy Winehouse e David Lynch e terem realizado digressões com os Coldplay, Mark Ronson ou Stereophonics. Mostraram ser músicos extremamente versáteis que tocam qualquer instrumento com um desempenho notável. Apresentaram um ecletismo musical digno de ser assinalado com misturas de vários estilos (punk-pop, jazz, soul, blues, ska, R&B, Rock’n’Roll) que resultam num “produto” final bastante apelativo e na maior parte dos casos “dançavel”. Os muitos que desafiaram o cansaço e decidiram “arriscar” e ficar para ver esta banda “desconhecida” deram o seu tempo como muito bem empregue e atribuíram à banda o epiteto de “banda revelação do festival”. No dia seguinte ainda se havia de ouvir aqui e ali alguém a trautear “Baby Bye Bye”.

No último dos três dias do festival ainda há espaço para ouvir nomes como Los Lobos, dEUS, James, Crystal Fighters entre outros.

Texto por José Graça e fotografia por Maria Inês Graça.



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