“Ficções” | Jorge Luis Borges
Colar de pérolas
Ao abrigo de um serviço público literário de excelência, a Quetzal continua a reeditar a obra de Jorge Luis Borges, um dos grandes mestres da narrativa com o dom de, em contos curtos, resumir toda a complexidade de que é feita a existência ou, em paralelo, os personagens que decide insuflar de vida.
“Ficções” (Quetzal, 2013) é mais um exemplo de uma escrita ficcional a caminho da vertigem, onde a originalidade, a invenção, a lucidez e a universalidade partilham as mesmas páginas sem se queixarem de má vizinhança.
A obra, composta por dois livros distintos – “O jardim dos caminhos que se bifurcam” (1941) e “Artifícios” (1944) -, é um desfilar de preciosidades: “Tlon, Uqbar, Orbis Tertius” e a “Análise da obra de Herbert Quain” mostram a veia de inventor de Borges, escrevendo notas – está mais perto de uma tese condensada – sobre livros e planetas imaginários; “O jardim dos caminhos que se bifurcam” é um policial apenas desvendado no último parágrafo; “A biblioteca de Babel” é um dos mais incríveis textos escritos sobre uma biblioteca, em que «as superfícies polidas representam e prometem o infinito»; «Pierre Menard, autor do Quixote” apresenta um homem que impõe um destino irreal a si próprio: «produzir umas páginas que coincidissem – palavra por palavra e linha por linha – com as de Cervantes; “Funes ou a memória” é uma bem composta metáfora sobre a insónia. “O Sul”, que Borges considera o seu melhor conto, fala de um duelo desigual mas, ainda assim, perto da epifania. Mestre Borges, é sempre um prazer relê-lo.
Outros títulos de Jorge Luis Borges publicados na Quetzal:
O Livro de Areia | História da Eternidade | Obra Poética Vol. 1 | O Aleph | O Relatório de Brodie
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