Final Fantasy @ ZDB

O virtuoso e o festival para gente sentada.

A determinada altura no concerto do passado dia 3 de Novembro, alguém pede a Owen Pallett, alguém pede a Final Fantasy, que toque “O Homem do Leme”. Convenhamos, o homem é bom, o homem é muito bom, mas a coisa não dá para tanto. Para tanto, isto é, não dizendo que a música em questão é boa (não o é), dizendo sim que o homem não tem o dom mágico de adivinhar melodias e composições. Mas quase. Em noite de domínio cosmopolita de MTV European Music Awards, a ZDB recebeu Owen Pallett, violinista, entre outros, dos marcantes Arcade Fire, para uma noite com Final Fantasy, não, não o jogo de plataformas, sim, um entusiasmante e promissor projecto.

Simpático, muito bem disposto, óptimo performer, Owen Pallett é a cara do projecto Final Fantasy, que se apresentou na sala lisboeta apenas com um violino (estupidamente bem loopado) e, pontualmente, uma bateria. Diga-se de antemão, primeiro ponto, que foi um óptimo concerto. Owen Pallett é um gajo talentoso, sabe o que faz, onde vai, o que quer. Toca descalço mas não toca em terreno incerto, move-se antes por caminhos muito bem definidos e de trilho seguro. Apresenta, para além de canções do disco “Has a Good Home”, versões de gente como Bloc Party ou Mariah Carey. Virtuoso violista, registe-se a surpresa que foi constatar a bela voz do moço, ora calma e num registo suave, ora raivosa, ardente, a incitar um motim para dentro do seu violino.

Pouco antes do fim do concerto, um rapaz abandona a sala porque tem de apanhar o comboio para casa. Pallett despede-se, confessando a pena pela sua partida, já que o mesmo até era “kinda cute”. Foi esta interacção que tornou este concerto especial, quase um diálogo aberto com a plateia que quase enchia a ZDB. Quase, diga-se, porque algumas pessoas lembraram-se de se sentar nas primeiras filas, entupindo os de trás. Triste ideia para um momento que pedia maior inteligência.



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