Ler é o melhor remédio
Da neurociência política à literacia financeira

O cérebro ideológico
de Leor Zmigord
D. Quixote (leya.com)
E se existissem ligações entre as crenças políticas e a biologia do cérebro? É com base nesta teoria, assumidamente provocatória, que Leor Zmigrod, cientista pioneira no domínio da “neurociência política”, construiu este que é o seu primeiro livro, desafiando o leitor a refletir sobre o peso que a estrutura mental tem na formação das nossas crenças mais rígidas.
Para tal, parte de estudos em psicologia cognitiva e neurociência e demonstra como a inflexibilidade mental, a resistência à ambiguidade e a dificuldade de nos adaptarmos a novas informações estão intimamente ligadas à adesão a ideologias dogmáticas, sejam políticas, religiosas ou sociais.
No entanto, O cérebro ideológico não é apenas sinónimo de um exercício de opinião ou contexto cultural, uma vez que a autora revela como o nosso cérebro processa estímulos simples, podendo ser um indicador da propensão para visões mais extremas. Essa perspetiva, ainda pouco explorada fora da academia, chega agora ao grande público, aliando rigor científico a uma escrita acessível.
Entre os muitos destaques deste livro, dividido em cinco partes, destaca-se a audácia de tocar numa ferida contemporânea: a polarização crescente. Assim, ao analisar como cérebros menos flexíveis tendem a cristalizar crenças, Zmigrod ajuda a compreender porque os argumentos racionais falham tantas vezes em debates públicos, sendo um dos grandes méritos desta obra mostrar que a batalha das ideias não se trava apenas nos parlamentos ou nas redes sociais, mas também nas sinapses e nos circuitos cerebrais.
O objetivo de O cérebro ideológico passa ainda por oferecer coordenadas que orientem as sociedades democráticas no sentido de permitir o pensamento em estratégias educativas, políticas e culturais que promovam maior abertura mental.
Num tempo em que dogmatismos e extremismos ameaçam corroer a convivência democrática, este livro é um contributo essencial. E mais do que um ensaio científico, é um convite à autocrítica e à reflexão sobre como pensar de forma menos rígida pode ser o primeiro passo para um futuro mais plural, agregador, racional e pacifista.
Tome nota
«A solidariedade é contagiosa. O nosso cérebro social anseia por sentir que faz parte de uma história, parte de um grupo. Quando as mentes comunicam, transcendem os limites dos crânios e das peles. Ninguém está sozinho. Todos podem ser compreendidos. Tudo pode ser partilhado.»

Contas-Poupança: As melhores dicas
de Pedro Andersson
Contraponto (contrapontoeditores.pt)
Quer saber como baixar a prestação de crédito à habitação, como aumentar o reembolso do IRS ou escolher o melhor seguro de saúde e pagar menos sem perder coberturas? As respostas a estas e a muitas outras perguntas sobre finanças estão em Contas-Poupança: As melhores Dicas, o regresso de Pedro Andersson aos livros e que significa mais um guia prático que condensa anos de experiência na rubrica televisiva homónima. O objetivo é simples: ajudar os leitores a gerir melhor o seu dinheiro, seja a poupar em despesas quotidianas ou aproveitando direitos e ferramentas financeiras que muitos desconhecem.
Tal como noutros livros do jornalista especialista em transformar ideias em poupanças, também Contas-Poupança: As melhores dicas apresenta estratégias claras para todos, desde famílias em dificuldades até jovens que começam a organizar o orçamento. Os conselhos são diretos, aplicáveis e adaptados à realidade portuguesa, muitas vezes fruto da experiência do autor, seja isso negociar com bancos, escolher crédito à habitação, eliminar comissões bancárias, otimizar seguros ou usar a Conta de Serviços Mínimos. Tudo explicado passo a passo, dispensando jargões técnicos, o ideal para quem se está a iniciar no planeamento ativo das suas finanças.
Ainda que algumas das ideias transmitidas por Pedro Andersson sejam já conhecidas por quem habitualmente acompanha os seus programas na SIC, este livro tem, porém, o mérito de as apresentar com uma organização em formato manual, tornando-se uma ferramenta de consulta, sempre à mão, e um aliado para quem procura a tão ansiada estabilidade financeira, demonstrando como pequenas decisões se podem transformar em ganhos consistentes e numa carteira mais recheada.
Tome nota
«Para lhe sobrar dinheiro no fim do mês, precisa, em primeiro lugar, de fazer um orçamento mensal realista – que consiga cumprir – e que lhe permita uma poupança imediata regular. Isso significa que terá de cortar alguns gastos supérfluos (…). Só assim conseguirá poupar algum dinheiro para ter uma almofada financeira para uma emergência e, depois disso, ter uma quantia disponível para começar a investir.»
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