Long Way to Alaska

Long Way to Alaska

Ode à vida aquática; conversámos com a banda a propósito do novo EP

O EP “Life Aquatic” marca o regresso às edições dos bracarenses Long Way To Alaska, depois do bem sucedido “Eastriver”, de 2011, e foi o pretexto perfeito para colocarmos algumas questões ao Gil Amado.

Após os concertos que serviram de promoção a “Eastriver”, “esconderam-se” durante algum tempo. O que andaram a fazer?

Em Setembro de 2011 o Nuno partiu para Ankara, na Turquia, onde esteve cerca de um ano a concluir os seus estudos académicos. Isso obrigou-nos de certa forma a tirar umas férias de LWTA, que vieram na altura certa. Precisávamos mesmo de arejar. Esse ano e meio de interregno deu espaço para que os restantes membros se pudessem focar noutros projectos musicais paralelos ao mesmo. O Gonçalo escreveu um EP a solo que está para sair em breve, o Lucas dedicou-se à sua nova banda e o Gil andou por aí a tocar ao vivo com WE TRUST. Ainda assim, em Abril de 2012, já com as saudades a apertar e com ganas de começar a compor coisas novas, gravámos a «Yonder Year» entre Braga e Ankara, que faz parte da colectânea “À Sombra de Deus” de Luxúria Canibal.

Os Long Way To Alaska de “Eastriver” são diferentes dos de “Life Aquatic”. Quais são, na vossa opinião, as principais diferenças?

O “Eastriver” acabou por ser um disco de transição em termos de evolução sonora da banda, onde tanto podemos escutar temas acústicos mais folkish, na onda do primeiro EP, como temas mais tropicais numa formação instrumental mais estandardizada (bateria, baixo e guitarras eléctricas). O “Life Aquatic EP” é precisamente a consolidação dessa evolução que surge de uma forma bastante natural; o método de composição baseou-se na interacção dos quatro em ensaio e não de forma individual. Há uma coesão maior entre as músicas do disco; além disso houve também um trabalho mais cuidado nos arranjos das mesmas. Deixámos totalmente de parte o lado intimista e acústico. É um disco tropical e bem disposto, bom para ouvir ao sol.

Qual a história por detrás do nome do EP?

Curiosamente, a ideia para o nome surge antes das músicas do disco, e surge por brincadeira num concerto em Lisboa já há bastante tempo. Entretanto, tínhamos o disco gravado e não conseguíamos chegar a um consenso quanto ao nome do mesmo até que alguém se lembra da tal brincadeira – “Life Aquatic”, não houve margem para dúvidas. O disco não é mais do que uma ode à vida aquática, e porque não a referência tão bem merecida ao “The Life Aquatic With Steve Zissou” de Wes Anderson? Achámos que faria todo o sentido.

Porque optaram por um EP em vez de um álbum?

Os esboços das quatro músicas de “Life Aquatic EP”, assim como a «Yonder Year», surgem todas na mesma altura, meses antes do Nuno ter ido para a Turquia. Portanto, faria sentido concluirmos esses mesmos temas e compilá-los num trabalho único, sem que misturássemos músicas novas que pudessem surgir entretanto após o regresso do Nuno. Não queríamos desvirtuar todo o conjunto para que a “obra” fosse o mais coesa possível. Representa uma fase curtinha da banda, daí um EP.

Falem-nos um pouco sobre o processo de composição de “Life Aquatic”. Foi complicado? Tinham ideias definidas ou foi tudo fluindo naturalmente?

Como respondemos anteriormente, os primeiros esboços surgem já antes do ano de pausa, e surgem naturalmente como forma de romper a fatídica rotina que sentes quando passas os ensaios a tocar sempre as mesmas músicas. Quando nos voltámos a juntar, ano e meio depois, sabíamos que tínhamos de pegar naquelas “malhas novas” e trabalhá-las para as terminar. Estávamos ansiosos para o fazer porque queríamos começar a tocá-las ao vivo para mostrar ao pessoal. O processo de composição acaba por voltar ao inicial. A banda neste momento encontra-se dividida, uma metade em Braga e outra em Lisboa, por isso a frequência de ensaios, infelizmente, é muito menor, obrigando-nos assim a trabalhar mais em casa para que sejam rentáveis os poucos ensaios que fazemos juntos. Por outro lado, nós os quatro já nos conhecemos e tocamos juntos há imenso tempo, o que torna o processo de criação em ensaio bastante fluído e fácil.

Começaram agora a promover o EP ao vivo. Como sentem que está a ser recebido pelo pessoal?

Para já fizemos o circuito “obrigatório” de apresentação do disco – Braga, Porto e Lisboa. A receptividade não podia ter sido melhor; esgotámos as salas em Braga e no Porto, em Lisboa conseguimos pôr a malta a dançar e a cantar as letras, foi óptimo sentir isso em palco. As reacções nas redes sociais e os artigos nos media em geral são muito positivos, já há até menções honrosas em blogs estrangeiros de referência, muitos EPs vendidos nestes concertos exclusivos de apresentação e umas quantas pré-vendas online. O disco chegou só no passado dia 29 de Abril às lojas por isso vamos lá ver; ainda agora começámos e a coisa parece ser melhor do que o expectável.

As bandas portuguesas parecem estar a perder o preconceito, ou o receio ou a falta de confiança, ou o que quer que seja, que as impedia de correr riscos, no que diz respeito à internacionalização. Se a oportunidade surge, tentam agarrá-la com unhas e dentes. Isso está nos vossos planos?

Não sei se houve alguma vez receio para tentar a internacionalização. Se isso agora acontece cada vez mais talvez seja reflexo do mercado nacional em função da crise económica do País – o desespero. Em relação a nós, Portugal não chega, nunca chegou. Aquando do “Eastriver” tivemos propostas bastante aliciantes para tocar lá fora, infelizmente estas oportunidades surgiram precisamente na hora da pausa. Por isso, sim, está mais do que nos nossos planos e prioridades, contamos ainda este ano fazer barulho lá fora, fingers crossed!

E quanto ao álbum? Já têm material? Está para breve? Seguirá as linhas de “Life Aquatic”?

Não há grandes planos… o material começa a aparecer e para já é cedo dizer qual a linha que vai seguir.



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